Publicado 09 de Novembro de 2012 - 8h31

JOAQUIM MOTTA

CEDOC

JOAQUIM MOTTA

Em sua ansiedade de superar os limites, expandir o próprio ego, garantir-se competitivo e até driblar a morte, o ser humano vive empenhado em conseguir efeitos milagrosos de poções, bálsamos e medicamentos.

Desde a infância acompanhada pelo pediatra (eles têm que tourear as mães que expectam por uma puericultura de fortificantes) até a senilidade assistida pelo geriatra dedicado a filtrar os excessos vitamínicos, a vida das pessoas permeia esse contexto.

Para as crianças, o mais famoso deles, o Biotônico Fontoura, foi um elixir criado no começo do século XX e contou com uma senhora campanha de divulgação, encenada por personagem de Monteiro Lobato.

Outras figuras de livros, histórias em quadrinhos e filmes como Popeye e suas latas de espinafre compõem o rico universo dos que buscam esses reforços.

No âmbito da sexualidade dos adultos e maduros, especialmente depois do Viagra (lançado no Brasil em 1998) e de seus muitos sucedâneos (Cialis, Levitra, Helleva) esse panorama se ratificou com base científica.

No entanto, ainda existem muitas referências folclóricas e fantasiosas sobre produtos que agem no desempenho sexual.

A alimentação e a atividade física são fatores decisivos na possibilidade de aumentar ou diminuir a libido, bem como do próprio desempenho sexual.

Vejamos alguns exemplos, sempre levando em conta o aspecto psicológico (um efeito placebo pode representar 33% de influência no consumo de um produto).

As ostras são boas fontes de zinco, mineral necessário para a maturação do esperma e fertilização. Outro alimento rico em zinco é o fígado de boi, mas não tão nutritivo quanto as ostras.

Uma boa taça de vinho pode ajudar a relaxar e criar um clima, mas o exagero de bebidas alcoólicas é catastrófico, especialmente para o prazer masculino.

O sedentarismo é péssimo para o corpo, mente e para a vida sexual também. O corpo é feito para exercer movimentos, não pode ficar parado.

O sexo implica movimentação corporal geral e genital intensa. Por isso, é sempre importante manter uma frequência sexual regular. Não há um número mínimo ou máximo de relações sexuais, mas seria importante uma manutenção básica de uma vez por semana. Se não houver parceiros, que seja na masturbação.

As atividades físicas em geral são verdadeiramente necessárias e inclusive podem estar relacionadas a um aumento de testosterona, o hormônio do desejo sexual.

Em tempo: a testosterona é o hormônio essencialmente masculino, mas também é o responsável pelo desejo. Portanto, está presente nas mulheres, ainda que em doses muito menores.

A acupuntura pode melhorar a performance sexual, aumentar a libido e até colaborar em problemas como ejaculação precoce e impotência.

Alguns alimentos conhecidos pela fama de afrodisíacos como pimenta, ginseng e canela são temperos que melhoram a circulação, ajudam na excitação genital. O amendoim e o ovo de codorna também merecem confiança, como fonte de vitaminas B3 e E.

Alimentos com tirosina como leguminosas, nozes, castanhas, tofu, cereais integrais e leite aumentam a produção de dopamina e noradrenalina, facilitando o rendimento sexual.

Um copo de suco de romã também pode melhorar a libido - a fruta é rica em antioxidantes, favorece a circulação sanguínea e incrementa a testosterona.

Algumas ervas naturais podem dar um reforço no desempenho sexual.

Há receitas que incluem tribulus terrestris, catuaba, gengibre e guaraná (todos em pó), mel e hortelã. Elas podem dar uma revigorada no sexo.

Os conhecidos energéticos, apesar do nome, não representam reforço para a sexualidade. Eles são bebidas à base de cafeína e outras substâncias estimulantes, como a taurina e a glucoronolactona, que potencializam a resposta do cérebro aos estímulos, deixando o corpo mais ativo ou acelerado.

Sua fórmula faz com que a pessoa se sinta revigorada durante algumas horas o que causa uma disposição aparente. Mas a ação dos energéticos também tem efeito rebote, levando à fadiga do organismo.

Há pessoas que consomem energéticos nas academias como se fossem isotônicos, um equívoco muito prejudicial. Os energéticos foram criados para amenizar a sensação de exaustão e cansaço, enquanto os isotônicos têm o objetivo de repor a água e os sais minerais que perdemos após uma ginástica.

Os tóxicos e o fumo estão cada vez mais definidos como fatores de enorme prejuízo para a saúde em geral, destacadamente a sexual.

Para pessoas mais maduras, tanto homens quanto mulheres, todos pensam na falta e na reposição de hormônios. Isso precisa muito cuidado, sempre com supervisão médica bem especializada.

A andropausa e a menopausa estão sendo reestudadas, muitas noções de poucos anos atrás já estão ultrapassadas, então não se pode correr riscos de repor hormônios sem rigoroso controle médico.

Quero lembrar ao leitor do nosso Grupo de Estudos do Amor (GEA). No site www.blove.med.br, clique GEA. Ou procure em http://www.anggulo.com.br/gea/eventos.asp. Inscreva-se para participar dos eventos que são programados em determinadas segundas-feiras às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi.