Publicado 08 de Novembro de 2012 - 8h07

José Pedro Martins

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José Pedro Martins

O prefeito eleito Jonas Donizette terá vários desafios pela frente, começando pela recuperação da imagem da cidade e a autoestima da população, após o “terremoto político” de maio de 2011 ao primeiro semestre deste ano, quando a cidade viu a alternância de três ocupantes do Palácio dos Jequitibás.

O projeto de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos deverá merecer atenção especial do governo Jonas Donizette, pelos seus potenciais impactos, positivos e negativos, para Campinas e toda região metropolitana.

Durante o próximo mandato, Viracopos poderá começar a se transformar no primeiro aeroporto-cidade do Brasil, o que exigirá medidas de planejamento para evitar o agravamento de dramas existentes e qualificar as oportunidades abertas pela ampliação.

A Cetesb indicou dezenas de condições para a autorização do início das obras de ampliação, mas elas serão suficientes? Apenas a primeira fase de ampliação prevê a ampliação da capacidade do aeroporto de 5 para 14 milhões de passageiros/ano. Até o final de todo projeto, composto de cinco etapas, a perspectiva será de ampliação para 80 milhões de passageiros/ano. Se for efetivado o projeto do Trem de Alta Velocidade, e com ele for instalada uma estação em Viracopos, é de se imaginar (ou não!) o impacto ambiental, econômico e social desses megaempreendimentos de forma conjunta.

A provável estruturação de um modelo de aeroporto-indústria, por sua vez, exigirá uma fina aproximação e colaboração com o polo científico e tecnológico de Campinas, que deverá alcançar maior projeção mundial, inclusive, durante o período do mandato de Jonas Donizette. A anunciada instalação de um laboratório do MIT em Campinas já é um indicativo disso.

O aeroporto-indústria implicaria na instalação de dezenas ou até centenas de pequenas e médias empresas de base tecnológica, de alto valor agregado, que se beneficiariam da proximidade de Viracopos e das facilidades de transporte e comercialização. A capacitação de mão-de-obra será essencial para que essas oportunidades de fato resultem em benefícios para a cidade. O prefeito eleito já afirmou que irá se empenhar para a concretização do Instituto Federal de Tecnologia na região do Campo Grande, bem como para o aprimoramento do ensino tecnológico de modo geral em Campinas.

Outro desafio essencial será a articulação, com os demais prefeitos eleitos, visando assegurar futuro abastecimento de água para os 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas. Essa articulação será essencial, considerando a renovação, em 2014, da concessão do Sistema Cantareira. Essa renovação precisa assegurar maior volume de água para a RMC e bacia do rio Piracicaba em geral, e não o contrário. Como maior cidade da região, Campinas tem um papel determinante nesse sentido.

Enfim, são grandes desafios, que apenas serão superados com capacidade administrativa e de diálogo. A trajetória profissional do prefeito eleito, como radialista, como comunicador, é uma credencial em termos de facilidade de diálogo. O trânsito junto aos governos federal e estadual também será teoricamente facilitado, pelo fato de o PSB integrar a base do governo federal e pela composição com o PSDB no período eleitoral. A atuação do prefeito eleito como vereador, deputado estadual e federal deu indicações de algumas de suas preocupações centrais, que poderão ser materializadas como prefeito da cidade que tem o 11º PIB municipal do Brasil.

Em síntese, Jonas Donizette será prefeito em um período absolutamente estratégico para o futuro de Campinas e região, e por que não dizer do Brasil. Pensar o futuro, gerindo de forma transparente e com participação social as múltiplas demandas de hoje, parece ser o resumo dos desafios do prefeito eleito.