Publicado 06 de Novembro de 2012 - 8h51

Toda campanha eleitoral tem, por óbvio, um forte componente pessoal de cada candidato, que aflora ao longo dos meses de exposição, quando as ideias são confrontadas, os projetos são questionados e as situações de embate fazem ferver o sangue político que revela porções do caráter e personalidade das pessoas. Mesmo com toda uma estratégia coordenada por equipes experimentadas de marketing político, é praticamente impossível dissociar a pessoa do pretendente ao cargo público, e é assim que deve ser.

De toda forma, o comportamento nas eleições sempre sai um pouco do controle. A acirrada disputa entre José Serra e Dilma Rousseff pela presidência da República foi um ápice da baixaria, das agressões, dos factoides, das mentiras. A sociedade assistiu escandalizada a uma estratégia equivocada de ambas as partes, aliada à insipiente utilização das mídias sociais na internet, que ainda não tinham formatos ajustados à utilização eleitoral.

Na sucessão de Campinas, o fenômeno se repetiu. Uma campanha que começou com forte conteúdo programático, discussão de ideias e propostas, descambou para um clima de agressão ditado por pesquisas que apontavam variações nos percentuais de cada candidato. A campanha do candidato petista Marcio Pochmann teve uma radical mudança de rumo atribuída ao comando da campanha, especialmente às figuras de Valter Pomar e Renato Simões, que enfatizaram o tom de crítica e agressões, provocando uma reviravolta na disputa (Correio Popular, 4/11, A6). O resultado foi uma estratégia equivocada, rancorosa, criticada até por militantes do partido, que traçou uma nova história para as eleições. A melhor defesa apresentada pela coordenação da campanha petista, de que o adversário “atacou mais”, foi a velha cantilena de se justificar alegando que o opositor também estava errado. Valeu para o mensalão, vale para toda crítica recebida.

Em verdade, o saldo apontado por analistas e especialistas em marketing eleitoral é que o momento atual não admite mais comportamentos dessa natureza, de desrespeito pessoal, de avanços das injúrias, da distorção de fatos e informações, um jogo de mentiras cada vez melhor percebido e rejeitado pela sociedade. Finalmente, começa a prevalecer a versão mais honesta e educada de se fazer conhecido, sinalizando para um tempo em que os melhores candidatos são aqueles que realmente têm o que dizer à sociedade.