CAMPINAS e RMC

INOVAÇÃO Empresas de tecnologia crescem e somam lucro

Publicado 17/07/2016 - 15h55 - Atualizado 18/07/2016 - 18h44

Por Adriana Leite

A palavra crise passa longe do dia a dia de empresas de tecnologia de Campinas e região. Se a maioria dos setores produtivos fechou o primeiro semestre com números negativos, companhias integradoras de sistemas, softwares, tecnologia da informação (TI), telecomunicações e prestadoras de serviços de inovação contabilizam crescimentos que ultrapassam os 40%. Além de aumentar as receitas em relação ao ano passado, as empresas ampliam o quadro de funcionários. O potencial da área de tecnologia é grande. Em 2015, os investimentos em telecomunicações e tecnologia da informação (TI) atingiram US$ 152 bilhões no Brasil.
A crise econômica gera uma necessidade de tornar os processos mais eficientes para reduzir custos e o investimento em tecnologia é uma das estratégias adotadas pelas companhias. O mundo cada dia mais conectado também favorece a busca por inovação. O uso cada vez mais frequente dos meios de pagamentos eletrônicos é mais um nicho que impulsiona os negócios das empresas de tecnologia. Outro fator que elevou as receitas foi o crescimento das exportações. O avanço da economia americana puxou a venda de produtos e serviços das empresas brasileiras que já apostavam no mercado internacional.
O vice-presidente de desenvolvimento de Negócios e Inovações para o Brasil e América Latina na CI&T, Mauro Oliveira, afirma que no primeiro trimestre deste ano a empresa cresceu 25%. “O ano tem sido muito interessante para a empresa. Apresentamos um crescimento consistente com ampliação de negócios no mercado doméstico e também em exportações”, diz. Ele cita que a empresa precisou expandir a estrutura dentro do polo de alta tecnologia de Campinas onde está instalada a matriz.
Oliveira comenta que o mercado de tecnologia cresce durante períodos de crise porque as empresas buscam maior eficiência por meio de novos sistemas. Outra tendência que alavanca os negócios do setor é a implantação do modelo de transformação digital que é a aposta de muitas empresas. “A CI&T apresenta produtos e soluções para atender diferentes públicos. Trabalhamos com empresas de diferentes portes e segmentos como mercado financeiro, indústria, serviços e varejo”, diz.
Ele afirma que no ano passado a empresa teve um aumento de 46% na receita líquida em relação a 2014. O volume atingiu R$ 340 milhões. “Pelo menos 40% dos nossos negócios foram relacionados à exportação. O dólar favorável alavancou a rentabilidade das operações. Mas apenas o câmbio não é suficiente para garantir o fluxo de negócios. A CI&T adotou como política apostar no mercado externo e mesmo quando o câmbio era desfavorável mantivemos os contratos no Exterior”, explica. A empresa tem operações em países como Estados Unidos, Reino Unido, China, Japão e Austrália.
Com números tão expressivos, a empresa ampliou o quadro de funcionários. “Vamos contratar mais 300 pessoas até o final deste ano. A maioria das vagas ficarão em Campinas”, diz. De acordo com a CI&T, nos últimos 18 meses a empresa contratou 650 pessoas para todas as operações. A companhia emprega hoje 2 mil pessoas. “Temos oportunidades em várias áreas desde desenvolvedores até gestores de projetos”, comenta.
Foto: César Rodrigues/AAN
Com bom fluxo de negócios, a CT
Com bom fluxo de negócios, a CT
Nicho
Em 2013, os sócios do escritório de contabilidade Syhus decidiram investir em um negócio que tivesse como foco o setor de tecnologia. “Percebemos que havia um potencial imenso para ser explorado. Cresce ano a ano a quantidade de startups no País e existem especificidades na legislação que devem ser observadas na hora de prestar serviço para as empresas de alta tecnologia”, comenta um dos sócios, Cristiano Fernandes de Freitas. Ele diz que a aposta foi correta e que a empresa vem crescendo mesmo com a crise econômica.
Freitas salienta que 90% dos clientes da carteira da empresa são da área de tecnologia. O faturamento da empresa neste ano deve chegar a R$ 1,74 milhão. “Fechamos o ano passado com um faturamento de R$ 807 mil. Neste ano, vamos mais do que dobrar. Já criamos 31 postos de trabalho e vamos continuar ampliando as vagas de emprego. Estamos com quatro oportunidades em aberto”, aponta. Ele ressalta que a empresa investe na qualificação dos profissionais para atender a demanda específica das startups. 
 
Brasil é o 1º colocado na aplicação de recursos em TI
 
O País é o primeiro na aplicação de recursos em TI na América Latina, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes). Estudo apresentado recentemente pela entidade, com base em levantamento do International Data Corporation (IDC), aponta que o mercado brasileiro de TI cresceu 9,2% no ano passado. No mundo, o aumento foi de 5,6% e atingiu US$ 2,2 trilhões. No Brasil, os investimentos chegaram a US$ 59,9 bilhões. O mercado de serviços de TI foi de US$ 14,3 bilhões e de software chegou a US$ 12,3 bilhões. O mercado de hardware somou US$ 33,4 bilhões.
O País ocupou o 6º lugar no mercado de telecomunicações e tecnologia da informação no mundo. O volume chegou a US$ 152 bilhões em 2015. No mundo, os investimentos somaram US$ 3,7 trilhões.. O ranking mundial é formado por Estados Unidos, China, Japão, Reino Unido e Alemanha. No mercado mundial de investimentos em software e serviços, o Brasil é o oitavo com um total de US$ 27 bilhões. O volume global chegou a US$ 1,124 trilhão. De acordo com o estudo da Abes, a região Sudeste representa 60,44% do mercado de TI. Logo depois aparecem as regiões Nordeste (10,72%) e Centro-Oeste (10,64%). No ano passado, havia 13.951 empresas atuando na área de software e serviços. Desse total, 41,1% atuavam com a distribuição e comercialização dos produtos. Outra parcela trabalha com desenvolvimento e produção (31,6%) e 27,3% atuam com prestação de serviços. No segmento de desenvolvimento e produção, existem 4.408 empresas.
 
Publicidade

Escrito por:

Adriana Leite