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  1. Polícia desmonta abatedouro ilegal em Campinas


    Policiais civis e militares, com GM, chegaram na casa de rações após denúncia

    09/02/2012 - 10h43 . Atualizada em 10/02/2012 - 09h36
    Cecília Polycarpo Cabalho    
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    Porcos e galinhas mortos foram achado no local
    (Foto: Divulgação)

    A Delegacia de Defesa dos Animais e do Meio Ambiente desmontou na manhã de ontem um abatedouro clandestino de animais no Jardim Uruguai, região Oeste de Campinas. Foram encontrados diversos bichos mortos, além de cães, coelhos, aves, porcos e cabritos em situação flagrante de maus-tratos, em um terreno na Avenida Deputado Luís Eduardo Magalhães. O abatedouro funcionava nos fundos de uma casa de ração, que também vendia sem autorização pássaros silvestres e medicação para animais. 

    Dois tratadores, que confessaram participar do abate, foram presos. Uma testemunha que comprava carne de porco no momento da ação também foi detida para prestar esclarecimentos. O dono do imóvel, Manoel Rufino, não foi encontrado. Rufino já tem passagem pela polícia por furto e não tinha alvará para manter um abatedouro. 

    Agentes da Polícia Civil investigavam a área há 10 dias, após uma denúncia anônima. A operação, que começou às 9h, contou com o apoio da Polícia Militar (PM), da Guarda Municipal (GM) e de voluntários de organizações não governamentais de defesa e proteção aos animais. Na área, de aproximadamente 3 mil metros quadrados, galinhas e porcos mortos apodreciam a céu aberto. 

    O terreno era coberto por lixo, fezes e oferecia condições sanitárias precárias. Carcaças de porcos e cabritos eram jogadas próximo a um riacho, em uma Área de Preservação Permanente (APP). Aves silvestres, como o pássaro preto, o pintassilgo e o azulão, este último na lista de animais ameaçados de extinção, foram encontrados em gaiolas sujas, sem água ou comida. Em uma delas, um pássaro estava morto. Cães magros e doentes, passavam o dia todo presos por cordas e ficavam dias sem comer, segundo os policiais.
    “Eles vendiam carne para pessoas da comunidade”, afirmou a delegada do Setor de Proteção aos Animais, Rosana Mortari.

    Abate 

    De acordo com a delegada, os funcionários presos no local, Marcos Ribeiro, de 41 anos, e Márcio de Lorena, de 27 anos, confessaram que abatiam os animais e separavam os cortes das carnes para comercialização. “Eles matavam porcos e cabritos primeiro com uma faca, tentando atingir o coração. Quando os animais não morriam somente com esses golpes, eles usavam um machado para terminar o serviço. É uma forma horrível de abate, em que o animal sofre muito”, afirmou a delegada. 

    O veterinário Diogo Siqueira, que acompanhou a ação, disse que os cadáveres dos animais, jogados em uma área de fragmento de Mata Atlântica, às margens de um riacho, podem contaminar o curso d’água que é utilizado para consumo pela população da região. “Eles podem pegar diversas doenças, inclusive botulismo.” 

    Uma das tratadoras dos animais, Adriana Pereira, de 36 anos, que também morava no local, afirmou que não participava do abate. “Eu cuido das galinhas, não mato nenhum bicho. Mas não sabia que o comércio deles era ilegal”, disse Adriana. 

    Todas as aves foram apreendidas. Os cães doentes e desnutridos serão tratados e levados para abrigos municipais. A organização não governamental (ONG) União Protetora dos Animais (UPA) informou que irá adotar quatro cabritos.

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