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  1. Faltam medicamentos para Núbia


    Postos de saúde estão em falta com remédios que tetraplégica usa para dormir e para escaras

    03/02/2012 - 09h28 . Atualizada em 03/02/2012 - 09h39
    Patrícia Azevedo    
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    Alegria de voltar para casa esbarra na falta de medicamentos
    (Foto: Leandro Ferreira/AAN)

    Núbia Queze da Silva, de 23 anos, venceu os maiores desafios que a vida lhe impôs: sobreviveu a uma grave lesão, superou duas grandes infecções, voltou a falar, passou por uma cirurgia inovadora e conseguiu um equipamento que a ajuda a respirar para voltar para casa. Mas, no primeiro dia fora do hospital já enfrentou um problema crônico que atinge o setor de Saúde. Sua família não conseguiu retirar no Centro de Saúde da Vila Orosimbo Maia a medicação necessária para que ela consiga dormir. “Meu marido foi no postinho e não conseguiu pegar nem o tranquilizante (sertralina de 50 mg) e o creme que ela usa para não ter escaras (dersani)”, afirmou Edna Silva, mãe da moça. 

    Edna conta que a família passa por dificuldades. “Eu e meu marido estamos desempregados. Não temos dinheiro para comprar os remédios. E ela precisa de uma cadeira de rodas. Não tenho vergonha de falar que precisamos de ajuda até para a alimentação”, disse a mulher. 

    A família contou com a solidariedade de estranhos para poder comprar o remédio. “Ela não consegue dormir, precisa tomar o remédio e não sabemos como proceder”, diz a mãe. A história de Núbia, que ficou tetrapégica depois de ser esfaqueada pelo ex-marido na frente do filho Vinícius, de 4 anos, continua despertando solidariedade. Vários leitores procuraram a reportagem para oferecer ajuda para comprar a cadeira de rodas especial de que a moça precisa. Uma corrente para levantar fundos está circulando. 

    A cuidadora Sandra Mara Cyrillo diz que acompanha o drama da moça e se ofereceu para ajudar a família a cuidar de Núbia. “Eu venho acompanhando as notícias e vi que a mãe precisa de ajuda para cuidar dela. Eu tenho experiência em cuidar de idosos, crianças e pessoas hospitalizadas e quero ajudar. Estou desempregada e posso ir até lá ajudar a família”, disse ontem. 

    Apesar das dificuldades, a alegria toma conta do novo quarto de Núbia. Nas paredes foram afixadas fotos da equipe do Hospital Mário Gatti, onde a moça foi tratada durante os últimos cinco meses, bilhetes dos enfermeiros e fotos do filho Vinícius. O pequeno não sai do lado da mãe. “Eu estou feliz agora que ela está aqui”, disse.

    Dívida

    A Secretaria de Saúde informou que a distribuição de sertralina só deverá ser regularizada a partir de março porque é um dos casos em que a licitação ainda deve ser aberta. Em entrevista coletiva concedida quarta-feira, o secretário de Saúde Fernando Brandão informou que o problema de falta de medicamentos na rede pública de Campinas só deve ser totalmente resolvido em março. 

    A Administração tem uma dívida de R$ 13 milhões com fornecedores, o que atrasou a entrega de uma série de remédios e insumos. “Conversamos com os fornecedores de 18 medicamentos da lista e eles informaram que os estoques começarão a ser regularizados a partir da próxima semana. Dentro de um mês vamos ter 70% desses itens disponíveis”, afirmou.

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