Publicado 10/07/2019 - 20h46 - Atualizado 10/07/2019 - 20h46

Por AFP


Um porta-voz do partido Farc pediu nesta quarta-feira (10) ao Ministério Público que investigue um suposto plano em marcha para atentar contra seus líderes, no contexto do assassinato de dezenas de ex-combatentes da guerrilha dissolvida e que assinaram a paz em novembro de 2016.

Iván Gallo, senador e porta-voz do partido que surgiu dos acordos que puseram fim à luta armada rebelde, apresentou uma denúncia na Justiça para que indague o alcance de algumas mensagens de texto que em seu julgamento poderiam configurar um complô contra a cúpula.

"No nosso modo de ver, (isto) de alguma forma evidencia que possa haver um plano para atentar contra os dirigentes do partido Farc e aportamos estas evidências para que se abra uma investigação e se possa determinar a origem destas mensagens", afirmou Gallo, também conhecido como Carlos Lozada.

Segundo o parlamentar, estas supostas ameaças deveriam ser consideradas em "um contexto onde foram assassinados mais de 140 integrantes do partido", depois da assinatura do acordo de paz.

"Chama a nossa tenção que possamos estar entrando em uma nova etapa com esta série de assassinatos", disse a jornalistas ao deixar o MP.

Além dos 140 homicídios, a Farc (Força Alternativa Revolucionário do Comum) destacou que 31 familiares de ex-guerrilheiros morreram violentamente neste período.

Gallo, que ocupa um dos dez assentos reservados para esta organização como parte dos compromissos de paz, também ressaltou sua preocupação com o fato de que as intimidações se deem no âmbito da campanha para as eleições regionais de outubro.

Na segunda-feira, o presidente Iván Duque, crítico do acordo de 2016, apresentou um plano de vigilância para as eleições de 2019, que inclui proteção especial aos candidatos.

Segundo a entidade investigadora, os ataques contra ex-guerrilheiros envolvem dissidentes da antiga guerrilha, grupos armados do narcotráfico, o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) e a força pública.

A antiga guerrilha comunista denunciou com insistência a falta de garantias de segurança para seus integrantes após a assinatura do pacto que levou ao desarmamento de 7.000 combatentes sob a supervisão da ONU.

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