Publicado 10/07/2019 - 08h01 - Atualizado 10/07/2019 - 08h01

Por AFP


A Previdência Social francesa vai parar de reembolsar a homeopatia dentro de 18 meses, anunciou o governo, após um relatório oficial que concluiu que não há evidências de uma eficácia suficiente desses produtos farmacêuticos.

Até agora, esses pequenos granulados eram reembolsados na França em 30%. A partir de 1º de janeiro, serão em 15% e em 2021 essa taxa cairá para zero.

Este período de transição permitirá "um tempo para a pedagogia" para os pacientes e para "os industriais se organizarem", disse a ministra da Saúde, Agnès Buzyn.

Os laboratórios pediram uma "moratória" sobre esta questão e um "debate parlamentar" após a publicação em junho de um relatório científico da Alta Autoridade de Saúde (HAS).

Esta agência encarregada de avaliar os medicamentos concluiu que os produtos homeopáticos não haviam "demonstrado cientificamente uma eficácia suficiente para justificar um reembolso".

Criado no final do século XVIII, este método consiste em curar por substâncias vegetais, minerais ou animais que causam sintomas semelhantes à doença com minidoses diluídas, para que não sejam tóxicas.

Mais da metade dos franceses (58%) já usou produtos homeopáticos "várias vezes", de acordo com uma pesquisa da Ipsos realizada em outubro de 2018, em nome de três laboratórios.

No ano passado, a homeopatia representou 126,8 milhões de euros de um total de cerca de 20 bilhões de euros para o conjunto de medicamentos reembolsados, segundo a previdência social.

Na Europa, o status da homeopatia varia enormemente: enquanto na Alemanha é amplamente praticada e reembolsada, está praticamente ausente no sistema público de saúde britânico, que em 2017 recomendou que seus médicos deixassem de prescrevê-la.

Na Espanha é pouco praticada e Madri, abertamente contra, pôs em prática no ano passado um plano para lutar contra as "pseudoterapias".

Após o anúncio, o grupo francês Boiron, líder mundial em homeopatia, pediu para ser recebido com "emergência" pelo presidente Emmanuel Macron, garantindo que fará "todos os esforços para combater" uma decisão contrária a "uma prática muito popular".

Os laboratórios afirmam que o fim do reembolso irá ameaçar 1.300 postos de trabalho: mil na Boiron e 300 na Lehning e na suíça Weleda.

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