Publicado 09/07/2019 - 19h01 - Atualizado 09/07/2019 - 19h01

Por AFP


O governo de Donald Trump ampliou nesta terça-feira sua estratégia de "pressão máxima" contra o Irã e seus aliados ao impor pela primeira vez sanções contra políticos eleitos pertencentes ao grupo Hezbolah, incluindo na sua lista negra os legisladores libaneses Amin Sherri e Mohamad Hassan Raad.

Essa decisão acontece em um momento no qual os Estados Unidos aumentam a pressão contra o Irã e seus supostos aliados no Oriente Médio, incluindo a Hezbolah, a quem Washington responsabiliza por estimular ataques "terroristas".

O Hezbolah, um movimento xiita aliado do Irã, se encontra na lista de "organizações terroristas" dos Estados Unidos, mas essa é a primeira vez que as sanções chega a funcionários eleitos.

"Hezbolah utiliza seus operadores no Parlamento libanês para manipular as instituições em apoio dos interesses financeiros e de segurança do grupo terrorista e para impulsionar as atividades maliciosas do Irã", disse em um comunicado a subsecretaria encarregada de Terrorismo e Inteligência Financeira, Sigal Mandelker.

Segundo o Departamento do Tesouro, essa ação se trata de ressaltar como o Hezbolah utiliza seu poder político para "corromper e explorar o sistema financeiro e de segurança do Líbano".

"As designações de hoje também enfatizam que não há distinção entre o Hezbolah político e suas atividades violentas", disseram as autoridades americanas.

No comunicado, o Departamento do Tesouro cita uma declaração de 2001 de Mohamad Hassan Raad, que se referiu à organização como "um partido de resistência militar" e disse que "não há separação entre política e resistência".

Sherri, de 62 anos, foi eleito deputado por Beirute em 2005 e depois voltou a ganhar um assento em 2018. É muito próximo ao aparato de segurança do movimento pró-iraniano.

Raad, de 64 anos, é o chefe do grupo parlamentar de Hezbolah e é um dos líderes do partido. Ele foi eleito pela primeira vez em 1992 nas eleições que continuaram em guerra civil que atingiu o país entre 1975 e 1990.

"Qualquer membro do Hezbolah que considere participar em uma eleição deve saber que não vai poder se esconder sob a proteção de um mandato", disse a jornalistas um alto responsável do governo.

As sanções também atingiram Wafiq Safa, uma importante integrante da organização, próximo ao secretário ao general Hassan Nasralah.

O Hezbolah no Líbano foi criado em 1980 com o apoio de Teerã. A organização empreendeu várias guerras contra Israel no sul do país e encarna "a resistência" contra este país, um aliado próximo a Washington.

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