Publicado 09/07/2019 - 17h15 - Atualizado 09/07/2019 - 17h15

Por AFP


Cinco anos atrás, Choi Soon-hwa trabalhava 20 horas por dia em um hospital. Agora, aos 75 anos, ela desfila nas passarelas, tornando-se um símbolo em uma Coreia do Sul onde os conflitos intergeracionais aumentam.

De cabelo grisalho e porte imponente, Choi Soon-hwa é uma das poucas modelos da terceira idade que causam sensação nas redes sociais e no mundo da moda.

"Acho que este trabalho na minha idade é um milagre", conta à AFP. "É como se fizesse um gol aos 45 do segundo tempo".

Choi é a modelo profissional mais idosa no país. Antes trabalhava como auxiliar de enfermagem em um hospital, e às vezes não tinha nenhum dia de descanso semanal.

"Conseguir almoçar era difícil. O estresse era enorme. Era como se tivesse dentro de mim um vulcão que ameaçava entrar em erupção", acrescenta. Na época, tinha muitas dívidas e seus rendimentos eram destinados a cobri-las.

Em um país onde 45% das pessoas da terceira idade vivem em uma pobreza relativa, Choi decidiu mudar de vida quando viu um anúncio publicitário na televisão sobre modelos de sua idade.

Formou-se no curso e foi contratada pela agência The Show Project.

No hospital - lembra - pintava o cabelo de preto porque os pacientes não queriam que o pessoal "parecesse velho". Não faz mais isso, porque os estilistas locais apreciam os fios grisalhos.

"Ela tem algo singular, qualidades diferentes (...) que correspondiam à originalidade que tento alcançar através das minhas roupas", explica Kim Hee-jin, estilista de 32 anos.

"Faço roupas para pessoas de vinte e poucos ou de trinta e poucos anos", conta a estilista, que contratou Choi no ano passado para um desfile durante a Semana de Moda de Seul. A modelo vestia uma jaqueta acolchoada violeta por cima de um vestido justo com uma mensagem obscena em inglês e meia-calça estampada.

No Ocidente as marcas tendem a recorrer a modelos mais representativos da sociedade. Algumas pessoas como Jacky O"Shaughnessy, Jan de Villeneuve ou Maye Musk (a mãe de Elon Musk) vivem um grande sucesso profissional em uma idade avançada.

Antes de chegar aonde está, Choi vivenciou a pobreza. Na Coreia do Sul, as pessoas mais velhas viveram durante o domínio colonial japonês, a guerra da Coreia, a miséria do pós-guerra e a crise financeira asiática de 1997.

"Este país era muito pobre quando eu era jovem", lembra Choi. Admirava as roupas usadas pelos órfãos que recebiam doações dos Estados Unidos. Mais tarde, quando seu marido a abandonou, teve que criar seus dois filhos sozinha. "Quando era mãe solteira vesti as mesmas roupas durante 20 anos".

Choi trabalha para uma indústria da moda que fatura cerca de 36,6 bilhões de dólares na Coreia do Sul.

Os sul-coreanos de mais de 60 anos gastam em média 32,5 dólares por mês com roupas e sapatos, mas os jovens de entre 20 e 30 gastam três vezes mais.

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