Publicado 09/07/2019 - 08h30 - Atualizado 09/07/2019 - 08h30

Por AFP


A Indonésia anunciou nesta terça-feira que irá devolver mais de 210 toneladas de lixo ao seu país de origem, a Austrália, num contexto em que os países do Sudeste Asiático se negam a ser o lixão dos países estrangeiros.

Os oito contêineres apreendidos na cidade de Surabaya deveriam conter apenas papel reciclado, mas as autoridades também encontraram materiais perigosos e resíduos como garrafas de plástico e recipientes, fraldas usadas, lixo eletrônico e latas, disse à AFP um porta-voz da agência alfandegária de Java Oriental.

Após a inspeção, o ministério do Meio Ambiente da Indonésia recomendou que "os contêineres sejam reexportados", segundo um comunicado.

"Estamos protegendo o público e o meio ambiente da Indonésia, especialmente de Java Oriental, dos resíduos B3", acrescentou o ministério, referindo-se a resíduos perigosos e tóxicos.

A empresa australiana Oceanic Multitrading exportou o lixo para a Indonésia com a ajuda da companhia indonésia PT.MDI, que fabrica papel reciclado e papelão, segundo as autoridades.

A decisão da China em 2018 de proibir a importação de resíduos plásticos estrangeiros causou o caos no mercado global de reciclagem e forçou as nações desenvolvidas a encontrar outros destinos para seus resíduos.

Enormes quantidades de lixo foram enviadas desde então para o sul da Ásia, onde a oposição ao recebimento de lixo exportado está crescendo.

A Indonésia anunciou na semana passada que devolveria 49 contêineres cheios de lixo para a França e outros países desenvolvidos.

Em maio, a vizinha Malásia anunciou o envio de 450 toneladas de resíduos plásticos importados de volta às suas origens, incluindo Austrália, Bangladesh, Canadá, China, Japão, Arábia Saudita e Estados Unidos.

As Filipinas, por sua vez, devolveram cerca de 69 contêineres de lixo para o Canadá no mês passado, encerrando uma batalha diplomática entre os dois países.

Cerca de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas a cada ano, de acordo com o World Wildlife Fund (WWF). Grandes quantidades acabam em aterros ou oceanos.

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