Publicado 08/07/2019 - 17h01 - Atualizado 08/07/2019 - 17h01

Por AFP


O Irã deu mais um passo para abandonar o acordo de 2015 sobre seu programa nuclear, ao anunciar ter enriquecido urânio a nível proibido de 4,5%, como resposta ao restabelecimento das sanções americanas.

O enriquecimento de urânio consiste em aumentar a proporção de isótopos físseis em urânio.

Segundo o acordo assinado em 2015, o Irã poderia enriquecer urânio em até 3,67%, um nível que permite alimentar centrais elétricas, mas muito abaixo dos 90% necessários para desenvolver uma bomba atômica.

Superar este limite de 3,67% é uma etapa tecnicamente importante para alcançar rapidamente concentrações superiores, destacou Robert Kelley, especialista do Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa sobre a Paz (Sipri).

"Se você enriquece a 3,5%, percorreu a metade do caminho, e se aumenta até 20%, terá finalizado aproximadamente 80% do trabalho", destacou à AFP este ex-pesquisador da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

Não obstante, na prática, um enriquecimento limitado a 5% seguiria sendo "insignificante" do ponto de vista militar e, significaria, principalmente, uma ação "política" (iraniana) para tentar obter o fim das sanções, acrescentou Kelley.

Segundo especialistas, o equivalente a uma tonelada de urânio pouco enriquecido é necessário para fabricar uma bomba atômica, e a partir disto, obter 20 kg enriquecidos a 90%.

O acordo de Viena fixou as reservas máximas admissíveis de urânio pouco enriquecido em 300 kg, um limite superado em poucos quilos no início de julho por Teerã.

O objetivo do acordo era levar a um ano o tempo necessário para que o Irã pudesse eventualmente se equipar com a bomba, uma contagem regressiva virtualmente iniciada.

Mas, a quantidade disponível de urânio pouco enriquecido é apenas um dos múltiplos parâmetros do processo de desenvolvimento da bomba. O analista francês François Nicoullaud considera que, na prática, o Irã necessitaria entre "três e cinco anos" para dispor de uma verdadeira capacidade nuclear militar.

O Irã também anunciou que vai retomar a construção do reator de água pesada de Arak (no centro do país),

modificado a partir do acordo de tal forma que a produção de plutônio seria impossível, alternativa ao urânio para fabricar uma bomba atômica.

David Albright, presidente do Instituto de Ciências e Segurança Internacional de Washington, advertiu que isto deve ser "considerado de forma séria e que dará um grande impulso ao E3 (países europeus que assinaram o acordo) para reintroduzir as sanções" contra o Irã.

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