Publicado 08/07/2019 - 17h01 - Atualizado 08/07/2019 - 17h01

Por AFP


O conservador Kyriakos Mitsotakis assumiu nesta segunda-feira (8) o cargo de primeiro-ministro da Grécia, com a promessa de reavivar a economia do país mais endividado da União Europeia (UE) depois de uma longa década de crise.

Em uma breve cerimônia no palácio do Presidente da República, Mitsotakis, herdeiro de uma dinastia política, fez o juramento ao cargo após a grande vitória eleitoral no domingo.

"O povo grego nos enviou uma mensagem forte para mudar a Grécia", declarou o líder do partido conservador Nova Democracia, de 51 anos.

"Agora começa o trabalho difícil, mas estou absolutamente seguro de que estaremos à altura dos acontecimentos", prometeu.

Mitsotakis governará com maioria absoluta, com 158 dos 300 deputados do Parlamento unicameral grego. O fará com um gabinete que inclui vários tecnocratas, poucas mulheres e dois ex-líderes da extrema direita, segundo o anúncio oficial feito nesta segunda.

No novo Executivo, que assumirá na terça-feira, destacam-se como titular das Finanças Christos Staikouras - vice-ministro da pasta entre 2012 e 2015 - e como chanceler Nikos Dendias, que foi ministro da Ordem Pública quando, em 2013, foi iniciado um amplo processo judicial contra o partido neonazista Aurora Dourada pelo assassinato de um rapper de 34 anos.

O primeiro conselho de ministros acontecerá na quarta-feira.

A chegada dos conservadores ao poder em Atenas encerra quatro anos e meio de governo do Syriza, o partido de esquerda radical liderado pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, que prometeu permanecer "ativo na oposição", com seus 86 deputados.

Tsipras chegou ao poder em 2015 com a esperança de acabar com as políticas de austeridade, impostas ao país pelos sócios europeus e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como remédio a uma crise da dívida pública que acabou contagiando toda a economia e destruiu 25% do PIB nacional.

Rapidamente, no entanto, Tsipras esbarrou na realidade e, em uma guinada de 180 graus, negociou no verão daquele ano com os credores um novo resgate econômico que resultou em mais sacrifícios: cortes salariais, aumento de impostos, entre outras medidas. Uma mudança que muitos simpatizantes do partido não perdoaram.

"Alexis Tsipras teve que impor medidas decididas no exterior e não teve escolha", comentou à AFP Nikos, um comerciante de 39 anos que trabalha no centro de Atenas.

Quatro anos depois, Tsipras presume ter retirado o país de um ciclo de resgates (três no total), traduzido em mais de 450 dolorosas reformas em todos os âmbitos do Estado.

Mas a economia do país permanece sob vigilância dos sócios e credores. E os números não são muito promissores: o nível de desemprego continua sendo o maior da Eurozona (19,2% no primeiro trimestre) e a dívida alcança 180% do PIB, mas com uma previsão de cair este ano a 167,8%.

O presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, reforçou esta posição, ao afirmar nesta segunda, em Bruxelas, que o novo premiê grego deverá respeitar "os compromissos" sobre a dívida da Grécia, assumidos por seu antecessor perante seus credores.

"Meu conselho (ao novo governo) será respeitar os compromissos", declarou Centeno, após um encontro de ministros das Finanças da zona do euro. "Esta é a única forma que eu conheço de ganhar credibilidade", acrescentou.

Escrito por:

AFP