Publicado 07/07/2019 - 17h30 - Atualizado 07/07/2019 - 17h30

Por Estadão Conteúdo


O presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, chegaram às 16h40 deste domingo, 7, ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, para ver a decisão da Copa América entre Brasil e Peru. Como o sistema de som do estádio já reproduzia músicas da festa de encerramento do evento esportivo, não foram ouvidos aplausos nem vaias. O jogo começa às 17h. Na comitiva do presidente vieram outros oito ministros, dois dos filhos de Bolsonaro (o deputado federal Eduardo e o senador Flávio) e pelo menos cinco deputados da base de apoio do governo.

A presença do ministro Moro foi prometida por Bolsonaro na última sexta-feira, 5, depois que a revista Veja publicou novos trechos de supostas conversas entre o ministro da Justiça, quando ainda era o juiz responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba, e o procurador da República Deltan Dallagnol, responsável pela acusação nos processos que seriam julgados por Moro. A revista acusa o ex-juiz de ter sido parcial. As conversas foram obtidas pelo site The Intercept e começaram a ser divulgados em 12 de junho.

Em reação à reportagem da revista Veja, ainda na sexta-feira Bolsonaro anunciou que neste domingo faria no estádio do Maracanã um teste da popularidade de Moro: "Pretendo domingo não só assistir à final do Brasil com o Peru, bem como, se for possível e a segurança me permitir, iremos ao gramado. O povo vai dizer se nós estamos certos ou não".

O cerimonial prevê que a taça de campeão da Copa América seja entregue após o jogo pelo presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, mas, segundo a entidade, não há nenhum impedimento caso o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, queira participar da cerimônia.

Em dezembro passado, quando já havia sido eleito mas ainda não havia assumido a presidência, Bolsonaro participou da premiação ao Palmeiras, que se sagrou campeão brasileiro.

Comitiva

Hoje é a segunda vez que o ministro da Justiça acompanha Bolsonaro a um estádio desde que ele começou a ser alvo de denúncias do site The Intercept. Em 12 de junho, três dias após a primeira reportagem baseada em supostas conversas entre Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, Moro e Bolsonaro foram ao estádio Mané Garrincha, em Brasília, para ver CSA x Flamengo, pela 9ª rodada do Campeonato Brasileiro. Já na plateia, antes do jogo, o presidente - que é palmeirense - acenou para torcedores e levantou as mãos de Moro.

Um torcedor então jogou uma camisa do Flamengo para Bolsonaro, que sorriu e pediu a outro espectador que desse uma para o ministro, também. Bolsonaro recebeu a segunda camisa e entregou a Moro, que a vestiu sobre a camisa de manga longa e a gravata que trajava. Os dois foram aplaudidos. Também integravam o grupo, naquela partida, o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB).

Dois dias depois, em 14 de junho, Bolsonaro foi ao estádio do Morumbi, em São Paulo, para ver a partida de estreia do Brasil na Copa América, quando a seleção venceu a Bolívia por 3 a 0. Moro não o acompanhou nessa ocasião.

Aplausos e vaias

Na última terça-feira (2), mais uma vez sem Moro, Bolsonaro esteve no estádio do Mineirão, onde viu a semifinal entre Brasil e Argentina, vencida pela equipe brasileira por 2 a 0. Antes da partida, o presidente se reuniu com Neymar, que, cortado da seleção por lesão, acompanhava o jogo na plateia.

No intervalo daquela partida, Bolsonaro deixou a área reservada à sua comitiva e desceu ao gramado do Mineirão. O presidente passou perto da arquibancada, pegou uma bandeira entregue por torcedores, a agitou e depois a devolveu. O estádio se dividiu entre vaias e aplausos, e Bolsonaro disse que as vaias eram dirigidas à seleção argentina, que havia voltado ao campo. "Houve vaia quando a seleção da Argentina entrou. E aí jogaram a câmera para cima de mim, queriam o quê? Acham que de imediato, eu, com paletó e gravata, no Mineirão enorme, uma vaia estrondosa de repente para mim? Não tem cabimento isso. Quem por outro lado sabia que era eu? Não sabia. A vaia foi para a seleção da Argentina. E se um dia eu levar uma vaia eu vou logicamente pensar onde estou errando", afirmou.

Após a semifinal, a federação de futebol da Argentina formalizou uma reclamação à Conmebol, entidade organizadora da Copa América, em que classificou a passagem de Bolsonaro pelo gramado como uma "interferência política" na partida.

Questionada sobre o fato, a entidade considerou normal a atitude de Bolsonaro. "Sobre a presença do presidente (no gramado), eles vão ao campo, isso é normal. No pré-jogo ou no intervalo, isso é norma", afirmou Thiago Jannuzzi, gerente de competições do Comitê Organizador Local da Copa América, em entrevista coletiva concedida na sexta-feira.

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