Publicado 07/07/2019 - 15h01 - Atualizado 07/07/2019 - 15h01

Por AFP


O maior banco da Alemanha, Deutsche Bank, anunciou neste domingo que cortará 18 mil empregos, um quinto do seu quadro, em três anos, um plano sem precedentes na entidade, que arrasta há anos problemas financeiros."A reestruturação terá como resultado uma redução no número de postos de 18 mil até 2022, para reduzir a força de trabalho a 74 mil pessoas", indicou o banco.O Deutsche Bank, que no ano passado já suprimiu 6 mil empregos, explicou que deseja reduzir seus custos em 6 bilhões de euros anuais. O plano anunciado irá requerer gastos de 3 bilhões euros no segundo trimestre do ano fiscal em curso e resultará em um prejuízo líquido de 2,8 bilhões de euros.No conjunto do ano, o Deutsche Bank deve voltar a fechar no vermelho, após um pequeno ganho em 2018, antecedido de três exercícios consecutivos de perdas.-- Última oportunidade --O plano aparece como uma última oportunidade para o banco, pouco mais de dois meses depois do fracasso das negociações para uma fusão com o concorrente Commerzbank, também em dificuldade."O Deutsche Bank joga na Primeira Divisão e deve tomar as medidas necessárias para permanecer assim", sentenciou o ministro da Economia alemão, Peter Altmeier, na edição dominical do jornal "Bild", ao se referir aos cortes de empregos.O principal executivo do banco, Christian Sawing, que assumiu o cargo no ano passado, optou por uma estratégia baseada em se concentrar nas atividades mais estáveis e na Alemanha e Europa, deixando de lado o sonho de se expandir nos Estados Unidos.O setor de banco de investimentos, que era uma prioridade do grupo, parece condenado ao esquecimento. O Deutsche Bank também irá encerrar sua atividade na negociação de ações, braço que poderia vender ao francês BNP Paribas.Sobre as atividades nos Estados Unidos, o banco enfrentou uma série de litígios, alguns deles ligados ao escândalo dos sistemas de evasão fiscal conhecidos como Panama Papers.Para limpar suas contas, o Deutsche Bank anunciou hoje a criação de uma filial à qual derivar ativos considerados de risco no valor de 74 bilhões de euros. Tratam-se, em sua maioria, de produtos financeiros altamente especulativos.Paralelamente ao Deutsche Bank, todo o setor bancário alemão atravessa um momento difícil, após ser, durante anos, o orgulho do país.tgb/har/mb/age/lb

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