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Publicado 11/07/2019 - 07h50 - Atualizado 11/07/2019 - 07h50

Por Adriana Giachinni

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do Planeta, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Índia

Banco de Imagens/iStock

De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do Planeta, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Índia

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou projeto (PLS 92/2018) que prevê a retirada gradual do plástico da composição de pratos, copos, bandejas e talheres descartáveis no Brasil. Pelo texto, no prazo de dez anos, o País deverá utilizar somente materiais biodegradáveis, que se decompõem em um prazo de até 180 dias, ao passo que o plástico derivado do petróleo pode demorar até 300 anos.
Em 2018, o Rio de Janeiro se tornou a primeira capital do País a ter uma lei proibindo o uso de canudos plásticos. No mês passado, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou lei que proíbe estabelecimentos comerciais de fornecerem canudos plásticos. Os descartáveis de uso único estão igualmente na mira das administrações municipais por todo o País.
De olho na discussão sobre o tema e instigadas à contribuírem, as educadoras Liara Medeiros e Valéria Agea, proprietárias da Escola Unidade Educacional Alfabeto, localizada no Parque Taquaral, em Campinas, inovam na tradicional Festa Junina, realizada no último dia 29.
A proposta incluiu em cada convite vendido um copo retornável para que os pais de alunos, funcionários e convidados o utilizassem durante o evento, diminuindo o uso dos descartáveis. A redução, de acordo com Liara, foi de aproximadamente 50% comparado ao ano passado. “Atuando na área da educação, principalmente na primeira infância, acreditamos ser fundamental o trabalho de conscientização do papel de cada um de nós no cuidado com o meio ambiente e com o Planeta”, explica Liara.
No dia da festa, os convidados foram recebidos com uma área de customização de seus copos, para que ganhassem decoração personalizada, a partir do uso de tintas, desenhos e adesivos. Além disso, as funcionárias das barracas estavam lavando os copos, se necessário, e em caso de troca de bebidas. “A expectativa maior era justamente com relação a qual seria a reação das famílias, se elas trariam os copos na festa. Mas fomos surpreendias com uma adesão de quase 100%”, conta Liara, que já antecipa quer mais novidades para 2020. “A gente gostaria de trabalhar com o canudo, mas ainda pensamos no modo mais eficiente de ensinar as crianças, que são pequenas, a praticarem corretamente a higienização.”
Mãe de dois alunos na escola, a analista financeira Giuliana Barbieri, aprovou a inovação. “Acho importante ações como essa porque criam uma nova mentalidade nas pessoas, um comportamento mais consciente. Além disso, as crianças são as responsáveis pelo futuro do planeta.”
Alfabeto cria espaço para geração verde
Nos últimos três anos, de seus 23 de existência, a escola Alfabeto inseriu no currículo aulas quinzenais de sustentabilidade, dando início ao desejo de contribuir para a construção de uma geração amiga do verde.
Em parceria com o projeto Selva Urbana, do médico veterinário Breno Martins, as aulas oferecidas para crianças, entre 2 e 6 anos, têm entre os objetivos despertar os cuidados necessários à preservação da vida e do ambiente; demonstrar que a reciclagem traz inúmeros benefícios; trabalhar o respeito com a natureza e levar a criança a valorizar o meio ambiente, identificando-se como parte integrante e agente de promoção do desenvolvimento sustentável.
A ideia de incluir o tema com nas atividades da escola surgiu após as proprietárias conhecerem o trabalho de Breno Martins e ver o interesse e a receptividade das crianças. “Sabemos que hoje em dia a conscientização é cada vez maior da sociedade como um todo, porém acreditamos que a base dada na primeira infância é fundamental para que aquela criança cresça interessada no Planeta”, afirma Liara.
O discurso tem total sintonia com o de Breno Martins. Há quatro anos, ele teve a ideia de trabalhar a educação ambiental com as crianças tendo como porta de entrada os animais. “Trabalhamos a diferença entre eles. Mostramos como vivem, como são. Alguns tem penas, outros pêlos, outros escamas. São todos animais que cuido e meu projeto, com aval das autoridades municipais, era levá-los para a salas de aula”, conta Breno.
“O amor pelos animais ensina que a criança não pode jogar lixo em qualquer lugar, por exemplo; ou que se ela não cuidar das plantas e do meio ambientes os animais sofrerão. A partir disso, existe todo um plano de desenvolvimento, através de oficinas, onde ensinamos os benefícios que a fauna e flora nos trazem”, completa.
A parceria com a Alfabeto deu tão certo que atualmente o trabalho do veterinário se concentra exclusivamente na escola e algumas atividades como voluntário. “Além disso, nossa equipe já está acostumada no dia a dia a trabalhar reduzindo ao máximo o uso de descartáveis. Todos temos nossos copos para uso durante o expediente, da mesma maneira que os alunos trazem os seus diariamente. Ainda assim, tudo o que é possível ir para reciclagem, vai”, completa Liara.
DEZ SUGESTÕES PARA TRABALHAR O TEMA
Conversas informais sobre meio ambiente, vegetação-plantas-fotossíntese, tipos de animais, poluição ambiental, coleta de lixo, reciclagem
Passeio pelo ambiente escolar, estudando fauna e flora
Confecção dos alunos do livro – coleta seletiva de lixo
Exibição de filmes sobre o tema
Levantar possíveis problemas ambientais vividos pela comunidade
Jogo da memória (animal e nome ou animal e primeira letra)
Apresentar músicas relacionadas ao tema;
Plantar uma horta com as crianças, e orientá-los a se responsabilizar por cuidar dela, fotografando cada etapa para aprimorar o aprendizado
Organizar as crianças em rodinha de forma que todas possam olhar e interagir.
Construir um brinquedo com sucata trazida de casa, como: bi boque, o vai-e- vem, o pião, pé de lata, etc.
Fonte: Escola Unidade Educacional Alfabeto
Reciclagem no País está abaixo da média mundial
No Brasil, cidades como Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Camboriú (SC), Ilhabela (SP), Santos (SP), Rio Grande (RS) e todo o estado do Rio Grande do Norte já sancionaram leis de proibição dos canudos e de outros plásticos descartáveis.
A lei, em geral, abrange hotéis, restaurantes, bares, padarias, clubes noturnos e eventos musicais de qualquer tipo. Em lugar dos canudos de plástico, uma opção pode ser, os fabricados em papel reciclável, material comestível ou material biodegradável.
De acordo com o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas por ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.
Do total gerado, cerca de 91% são coletados, mas apenas 1,28% é efetivamente reciclado, percentual bastante inferior à média global de 9%.
Por este motivo, segundo ambientalistas, é extremamente importante a troca do plástico petroquímico pelo biodegradável de origem renovável, num processo que irá reduzir o plástico encaminhado a aterros sanitários e no encurtamento do ciclo de vida desse produto.
O Projeto de Lei 263/2018 recebeu pedido de urgência e segue para votação em Plenário. Pelo texto, ficam proibidos a fabricação, a importação, a distribuição e a venda também de sacolas plásticas para guardar e transportar de mercadorias, além de utensílios plásticos descartáveis para consumo de alimentos e bebidas, como é o caso dos canudos.
Outra restrição é com o uso de micropartículas de plástico nos cosméticos. Usado em vários produtos, como maquiagens, protetores solares e cremes esfoliantes, esse material vem se acumulando nas águas de oceanos e rios, intoxicando peixes, por exemplo.

Escrito por:

Adriana Giachinni