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Publicado 10/07/2019 - 08h08 - Atualizado 10/07/2019 - 08h08

Por Alenita Ramirez

Mausoléu do Soldado Constitucionalista, localizado no Cemitério da Saudade, onde estão enterrados os corpos do 16 ex-soldados campineiros

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Mausoléu do Soldado Constitucionalista, localizado no Cemitério da Saudade, onde estão enterrados os corpos do 16 ex-soldados campineiros

Revolução Constitucionalista de 1932, que foi uma guerra civil em que o Estado de São Paulo se revoltou contra a ditadura do então presidente Getúlio Vargas, completa 87 anos em 2019. Por mais que tenha sido derrotada no campo de batalha, a revolução foi importante marco para a formação da identidade paulista e também para pressionar as autoridades por uma nova Constituição.
Celebrado em 9 de julho, Campinas lembrou ontem do Movimento Constitucionalista de 1932 com uma solenidade em frente ao Mausoléu do Soldado Constitucionalista, localizado no Cemitério da Saudade, onde estão enterrados os corpos do 16 ex-combatentes campineiros.
O ato contou com a presença do presidente do M.M.D.C., capitão da Polícia Militar (PM), Rafael Cambuí, do vice, Paulo Barros Camargo Filho, filho de Paulo Barras Camargo, um dos combatentes, que morreu aos 96 anos, em 2012, além de autoridades políticas, parentes de ex-combatentes, Exército, policias militares, bombeiros e escoteiros.
Na época vários jovens morreram na luta pela Constituição e pela democracia. “A proposta do evento é homenagear e ressaltar a democracia, a liberdade de expressão e o apoio às manifestações populares”, disse Cambuí.
Filho de um combatente, Camargo Filho faz questão de participar do evento, pois afinal ele cresceu ouvindo o pai contar sobre o período. Paulo Barros Camargo tinha 16 anos quando participou da Revolução e saiu vivo do embate. Foi motivo de orgulho e tinha prazer em relatar sobre a época, inclusive se tornou historiador.
O M.M.D.C são as iniciais que representam os nomes dos manifestantes paulistas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, mortos por tropas federais ligadas ao Partido Popular Paulista (PPP), um grupo político-militar sustentáculo pelo regime de Getúlio Vargas.
Além da Polícia Militar, também participou da celebração o grupo de escoteiros Aldo Chioratto. O nome da entidade é uma homenagem ao garoto campineiro de 9 anos que morreu durante bombardeiro aéreo sobre Campinas, durante a revolução. Aldo era escoteiro. Durante a celebração houve a execução de hinos e marchas.
Ao menos 70 mil voluntários deram apoio aos combatentes, inclusive mulheres que escreviam e costuravam para os guerreiros. Não há números de quantos campineiros participaram do combate. No entanto, os registros mostram que ao menos 16 campineiros morreram durante o conflito. Em todo o Estado de São Pailo houve mil baixas.
O último combatente campineiro morreu no dia 15 de outubro de 2012. Paulo Barros Camargo nasceu em Pederneira no dia 29 de março de 1916, foi criado em Limeira e na década de 1970 veio para Campinas, e viveu até seus últimos dias no bairro Jardim Nova Europa.

Escrito por:

Alenita Ramirez