Publicado 12/06/2019 - 00h29 - Atualizado 12/06/2019 - 00h29

Por AFP


O presidente argentino, Mauricio Macri, decidiu ampliar sua coalizão de governo ao escolher nesta terça-feira um dos líderes peronistas do Senado para acompanhá-lo na sua chapa como vice-presidente na disputa eleitoral de 27 de outubro."Quero anunciar que Miguel Ángel Pichetto me acompanhará como candidato a vice-presidente da Nação", escreveu Macri nas redes sociais.Em uma jogada política surpreendente, o presidente liberal que aspira à reeleição optou pelo chefe do bloco Justicialista Federal (peronista de direita) no Senado. É um advogado de 68 anos, feroz inimigo político da ex-presidente e senadora opositora Cristina Kirchner.A chapa Macri-Pichetto enfrentará a de Alberto Fernández-Cristina Kirchner, que representa os setores de centro-esquerda do peronismo."Precisamos construir acordos com muita generosidade e patriotismo onde todos os argentinos que compartilham esses valores contribuam de seus lugares", disse Macri em sua mensagem."É um homem de Estado, que com o passar dos difíceis anos de governo soube conhecer e respeitar seu compromisso com a Pátria e as instituições".Pichetto declarou em entrevista coletiva "que compartilha com o governo uma visão capitalista que signifique que se exporte, que se abram mercados, que siga adiante a Vaca Muerta (exploração de hidrocarbonetos não convencionais no sul), que se apoie o setor agropecuário e os empreendedores tecnológicos".O candidato a vice reafirmou sua oposição à prisão preventiva de políticos acusados de corrupção enquanto aguardam uma sentença definitiva. "Sou contra a prisão preventiva antecipada".Até agora a coalizão de governo Cambiemos unificava a social-democrata União Cívica Radical ao partido de direita Proposta Republicana (PRO).Pichetto foi um dos aliados do ex-presidente peronista de direita Carlos Menem (1989-99) no Senado, mas depois migrou para o kirchnerismo no governo de Néstor Kirchner (2003-2007).No final do segundo governo de Cristina Kirchner (2007-2011 e 2011-2015), Pichetto passou para a oposição. Desde então, ele apoiou as iniciativas de lei de Macri e foi seu maior aliado no Senado.A Bolsa de Buenos Aires reagiu positivamente ao anúncio de Macri e subiu 5,02%.Para definir o cenário final das próximas eleições, falta o anúncio sobre se o peronismo de esquerda, ligado a Kirchner e seus aliados, formará ou não uma coalizão com a Frente Renovadora, do ex-deputado Sergio Massa, outra corrente do peronismo."O diálogo com a Frente Renovadora para a construção de uma grande coalizão opositora, diante da magnitude da crise no país, tem frutificado. Amanhã (quarta-feira) vamos anunciar a decisão", disse em entrevista coletiva José Luis Gioja (presidente do partido peronista).O peronismo está dividido em várias facções, mas o eleitorado se polariza entre Macri e Cristina Kirchner, vice de Alberto Fernández.dm/nn/yow/cc

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