Publicado 11/06/2019 - 12h15 - Atualizado 11/06/2019 - 12h15

Por AFP


A Justiça russa decidiu retirar as acusações de tráfico de drogas contra o jornalista investigativo Ivan Golunov, em um caso polêmico que provocou indignação da sociedade civil."Golunov será libertado hoje (terça-feira) de sua prisão domiciliar, e as acusações serão retiradas", disse o ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev, citado em um comunicado.A Justiça terá agora de avaliar "a legalidade das ações dos policiais que prenderam" o jornalista na quinta-feira passada, em Moscou, e que afirmaram ter encontrado uma grande quantidade de drogas em sua mochila e durante uma busca em seu apartamento.De acordo com Kolokoltsev, os policiais que fizeram a prisão foram suspensos de suas funções durante a investigação.Ainda segundo a mesma fonte, duas autoridades policiais serão demitidas: o general da Polícia Andrei Puchkov, chefe das forças de ordem no distrito oeste da capital russa, e o general Yuri Deviatkin, chefe em Moscou do Departamento de Combate a Narcóticos."Vou pedir ao presidente russo", Vladimir Putin, para removê-los do cargo, declarou Vladimir Kolokoltsev.Jornalista do site de notícias Meduza, conhecido por suas investigações sobre a corrupção na prefeitura de Moscou e em setores obscuros como o de microcrédito e de agências funerárias, Ivan Golounov estava em prisão domiciliar desde sábado.Os defensores do jornalista denunciaram um caso que foi fabricado em retaliação por suas investigações. O jornalista afirma que as drogas apreendidas pela polícia não eram suas e que foram colocadas em sua mochila sem seu conhecimento.As análises realizadas a pedido da Justiça não revelaram nenhum vestígio de droga em seu sangue, e nenhum dos malotes apreendidos tinha suas digitais, segundo seus advogados.O caso provocou uma onda de rara solidariedade na sociedade russa, com apoio crescente, de jornais independentes até a mídia estatal, passando até mesmo por alguns políticos de alto escalão. Uma marcha em apoio a Ivan Golunov foi marcada para quarta-feira no centro de Moscou, enquanto uma petição exigindo sua libertação coletou quase 180.000 assinaturas.pop/gmo/bds/mr/tt

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