Publicado 10/06/2019 - 22h29 - Atualizado 10/06/2019 - 22h29

Por AFP


Quase 100 pessoas morreram em um ataque noturno contra um vilarejo da etnia dogom em Sobane-Kou, no centro do Mali, no último episódio de violência comunitária que atinge a frágil região, disseram as autoridades nesta segunda-feira (10). Não houve reivindicação imediata do massacre, mas esta ocorreu em um vilarejo habitado pela comunidade dogom, e carrega a marca dos ataques étnicos "olho por olho" que já cobraram centenas de vidas na zona."Não é um ciclo de vingança, para o qual este país deve ser levado", declarou à televisão pública ORTM o presidente malienese, Ibrahim Boubacar Keita, que está na Suíça para as celebrações do centenário da Organización Internacional do Trabalho (OIT), de onde anunciou que retornaria acortaría su estancia.O presidente pediu que o povo do Mali "se reenconntre", para "renascer e permitir que nossa nação sobreviva. Pois isto é uma questão de sobrevivência", considerou. Anteriormente, um funcionário do distrito de Kundu, onde se encontra a aldeia de Sobane-Ku que tinha cerca de 300 habitantes, havia declarado à AFP que "agora mesmo temos 95 civis mortos. Os corpos estãon queimados, seguimos buscando outros".Segundo o governo, muitos animais foras massacrados, e as casas, incendiadas."Homens armados, suspeitos de ser terroristas, lançaram um ataque assassino contra este vilarejo pacífico", disse o governo em um comunicado.Uma fonte de segurança maliense no local do massacre disse que o "vilarejo dogom foi quase inteiramente destruído". Um sobrevivente que deu seu nome como Amadou Togo explicou que "cerca de 50 homens fortemente armados chegaram em motocicletas e caminhonetes". "Primeiro rodearam a aldeia e depois atacaram, e qualquer um que tentava escapar era assassinado". "Algumas pessoas tiveram o pescoço cortado ou foram estripadas, celeiros e gado foram queimados. Ninguém se salvou... mulheres, crianças, idosos". Togo acrescentou: "Contabilizamos 95 mortos e 38 feridos, e cerca de 20 desaparecidos".O norte do Mali vive desde 2012 episódios regulares de violência ligados a grupos jihadistas. Zonas inteiras do país ainda escapam ao controle das forças malinenses, francesas e da ONU, apesar da assinatura em 2015 de um acordo de paz para isolar os extremistas.A violência se concentra sobretudo no centro do país, com conflitos intercomunitários, um fenômeno vivido igualmente por Burkina Faso e Níger.Em 23 de março, em Ogossagou, perto da fronteira com Burkina Faso, 160 pessoas da etnia peul foram mortas supostamente por grupos de caçadores dogons.A associação de caçadores dogom Dan Nan Ambassagou, oficialmente dissolvida pelo governo em 24 de março, após o massacre de Ogossagou, condenou o "ato terrorista e genocida intolerável", afirmando que "considera este ataque como uma declaração de guerra".O grupo, que havia negado qualquer participação no massacre de Ogossagou, mas que rejeitou sua dissolução e se negou a "abandonar as armas", reitera sua "disponibilidade" às populações para "garantir sua segurança" perante as carências do Estado e da comunidade internacional.Desde o surgimento em 2015 no centro do Mali do grupo extremista islâmico de Amadou Koufa, recrutando prioritariamente pessoas da etnia peul, tradicionalmente criadores de animais, os confrontos aumentaram entre esta comunidade e as etnias bambara e dogom, praticantes de agricultura, que criaram seus próprios "grupos de autodefesa".sd/siu/sd/pc-al/mar/jvb/lca

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