Publicado 10/06/2019 - 21h59 - Atualizado 10/06/2019 - 21h59

Por AFP


O Irã denunciou nesta segunda-feira para a comunidade internacional as possíveis consequências da "guerra econômica" liderada pelos Estados Unidos contra seu governo, durante uma visita do ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, a Teerã."Não se pode esperar que uma guerra econômica contra o povo iraniano continue e que aqueles que a apoiam ou que a desencadearam permaneçam seguros", disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, durante uma visita a Teerã do seu colega alemão, Heiko Maas."As novas tensões na região são resultado da guerra econômica contra o Irã na qual o próprio (presidente dos Estados Unidos Donald) Trump diz estar envolvido", afirmou Zarif, referindo-se a campanha de "pressão máxima" americana contra o Irã, particularmente por meio de sanções econômicas restabelecidas ou intensificadas desde 2018."A única maneira de reduzir a tensão na região é acabar com esta guerra econômica", acrescentou o ministro iraniano em coletiva de imprensa com Maas, depois de uma reunião a portas fechadas. "A Alemanha e a União Europeia (UE) pode desempenhar um papel importante para reduzir essas tensões, e nós os apoiamos neste papel", disse Zarif.A porta-voz da diplomacia americana Morgan Ortagus minimizou a importância das "ameaças" iranianas afirmando que "não nos impressionam"."Proferir ameaças, fazer chantagem nuclear ou aterrorizar outros países são a atitude do regime revolucionário de Teerã".- Encontro tenso -A região do Golfo atravessa um período de tensão há um mês, envolvendo o Irã, de um lado, e os Estados Unidos e seus aliados da península Arábica, do outro.Estas tensões cresceram pelo envio de reforços militares americanos para o Oriente Medio, oficialmente para fazer frente a uma suposta "ameaça iraniana" e pela misteriosa sabotagem de quatro navios (dois sauditas, um norueguês e um dos Emirados Árabes) na entrada do Golfo no dia 12 de maio.Estados Unidos e Arábia Saudita acusam o Irã de estar atrás destes ataques, algo que o Irã nega energicamente.Nesta segunda-feira, os ministros iraniano e alemão saíram visivelmente irritados após a reunião."Tivemos uma discussão séria, franca e bem longa", declarou Zarif à imprensa. Os dois disseram ter discutido sobre o futuro do acordo de Viena e a situação regional.O governo iraniano reclama que os europeus não cumpriram os compromissos assumidos no acordo internacional sobre seu programa nuclear de 2015.Apesar da saída dos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China seguem formando parte do acordo.Após Washington sair, Teerã ameaçou deixar de cumprir progressivamente o acordo, a não ser que os demais sócios, em particular os europeus, ajudem o país a evitar as novas sanções econômicas.O Irã deu prazo de dois meses aos europeus, chineses e russos para concretizar os seus compromissos, em particular nos setores petroleiro e bancário.Nesse sentido, o presidente iraniano Hasan Rohani, que se reuniu com Maas, pediu aos europeus a "adotar ações sérias e concretas" para "salvaguardar" o acordo, segundo um comunicado da presidência.- Bloqueio das transações -As sanções americanas tornam praticamente impossível qualquer transação internacional com um banco iraniano. As novas sanções de Washington tem o objetivo de evitar que o Irã possa exportar seu petróleo, a principal fonte de renda do Estado.Em 8 de maio, o Irã anunciou que, após a reintrodução de sanções pelos Estados Unidos, não se sentia mais obrigado por certas restrições impostas no acordo de 2015, especialmente no que diz respeito a suas reservas de água pesada e enriquecido de urânio.O Organismo Internacional de Energia Atômica (OEIA) afirmó este lunes estar "preocupado pelas tensões crescentes" sobre o programa nuclear iraniano."Espero que maneiras possam ser encontradas para reduzir a tensão atual por meio do diálogo", afirmou em um discurso Yukiya Amano, o diretor do organismo das Nações Unidas.O caráter extraterritorial das sanções americanas acabou com o interesse de empresas europeias em fazer negócios com o Irã.No início deste ano, França, Alemanha e Reino Unido colocaram em prática um mecanismo de permuta chamado INSTEX, mas que até o momento não realizou nenhuma transação.Nesta segunda-feira, o porta-voz do ministério iraniano de Exteriores, Abbas Musavi, disse que até agora os europeus "não quiseron ou não puderam cumprir seus compromissos", algo que considerou "lamentável".O Irã criticou na sexta-feira a ideia do presidente francês Emmanuel Macron de um novo acordo para ampliar o de 2015 e que limitaria também a atividade dos mísseis balísticos iranianos."Os europeus são os menos indicados para criticar o Irã, inclusive sobre as questões que não têm nada a ver" com o acordo de 2015, disse Zarif no domingo.burx-mj/gk/pc-mar/mb/fp/lca

Escrito por:

AFP