Publicado 10/06/2019 - 19h45 - Atualizado 10/06/2019 - 19h45

Por AFP


Os presidentes de cerca de 200 empresas americanas defenderam publicamente nessa segunda-feira o direito ao aborto, invocando seus "valores", mas também a conveniência para seus "negócios", rompendo o silêncio mantido pelo setor corporativo diante da ofensiva conservadora nos Estados Unidos.O presidente executivo do Twitter, Jack Dorsey, da agência financeira Bloomberg, da marca de cosméticos MAC e dos sorvetes Ben & Jerry's, entre outros, assinaram uma carta publicada no jornal The New York Times com o título "Não proíbam a igualdade"."Restringir o acesso à atenção reprodutiva integral, incluindo o aborto, ameaça a saúde, a independência e a estabilidade econômica de nossas funcionárias e clientes", afirmaram os empresários, para quem a proibição vai contra seus valores e de "seus negócios".Para os diretores, esse tipo de política deteriora sua capacidade de construir uam força de trabalho diversa e inclusiva, afeta a capacidade de recrutar talentos em todos os estados do país e de proteger o bem-estar das pessoas que geram o progresso das empresas.Entre os autores da carta estão também a estilista Diane von Furstenberg e o diretor do aplicativo de encontros Tinder, Elie Seidman.Até agora os círculos empresariais estavam em silêncio frente à ofensiva contra o aborto que surgiu em vários estados conservadores dos Estados Unidos, que questiona um direito garantido no país pela Suprema Corte desde 1973. As empresas americanas geralmente expressam suas posturas contra o racismo ou contra as armas de fogo e opinam sobre temas como violência sexual e inclusão dos homossexuais, mas estavam se mantendo à margem desse debate que gera muita polêmica nos Estados Unidos. Os defensores do direito ao aborto celebraram a carta. "Estamos agradecidos e inspirados de que há tantos líderes de negócios que fiquem com orgulho ao nosso lado e publicamente contra esses ataques perigosos e sem precedentes, chamando atenção para os efeitos paralisadores para os funcionários e comunidades onde têm seus negócios", disse Leana Wen, presidente da organização de planejamento familiar Planned Parenthood.O diretor da organização de defesa dos Direitos Civis ACLU, Anthony Romero, disse que isso mostra que a comunidade empresarial não vai ficar à margem enquanto so políticos tentam tirar direitos. Alguns estados onde a direita religiosa tem grande poder adotaram recentemente leis contrárias à jurisprudência da Suprema Corte, na expectativa de que o tribunal se pronuncie mais uma vez sobre o tema, apostando que os juízes conservadores nomeados pelo presidente Donald Trump possam mudar essa jurisprudência. chp/AB/an/ll/cr

Escrito por:

AFP