Publicado 10/06/2019 - 18h14 - Atualizado 10/06/2019 - 18h14

Por AFP


O México anunciou nesta segunda-feira (10) que discutiria com os Estados Unidos a possibilidade de ser um "terceiro país seguro", ou seja, acolher os demandantes de asilo em território mexicano no lugar dos Estados Unidos, se o fluxo de migrantes em situação irregular não diminuir em 45 dias, enquanto Donald Trump voltou a ameaçar com a adoção de tarifas alfandegárias.Na sexta-feira, os dois governos alcançaram um acordo para evitar que Washington impusesse tarifas ao México se o país se comprometesse a aumentar a segurança em sua fronteira sul e expandir sua política de devolução dos migrantes centro-americanos enquanto os Estados Unidos processam seus pedidos de asilo.Nesta segunda, em meio a especulações sobre o conteúdo do acordo, o ministro mexicano de Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, disse que tinha rechaçado a demanda de Washington de ser um "terceiro país seguro", mas se comprometeu a examinar o tema em 45 dias.Trump, por sua vez, disse que uma disposição secreta do acordo precisaria da aprovação do Legislativo mexicano e advertiu que "se por alguma razão não ocorrer, as tarifas serão restabelecidas"."Na reunião com o vice-presidente dos Estados Unidos, eles insistiam no tema do terceiro país seguro ou primeiro país de asilo", mas o México propôs dar um prazo para ver se a mobilização de sua Guarda Nacional na fronteira sul diminuía a migração de ilegais vindos da América Central, disse Ebrard em coletiva de imprensa.Ele acrescentou que caso contrário, o México discutiria essas medidas adicionais propostas por Washington.Por iniciativa de México, também se discutirá com Guatemala, Panamá, Brasil e o escritório das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) outras medidas porque, segundo Ebrard, a responsabilidade migratória "tem que ser regional".Mas estes dois cenários exigiriam a análise e eventual aprovação dos legisladores mexicanos, admitiu o chanceler mexicano.Por enquanto, na fronteira com a Guatemala ainda não foi deslocado nenhum elemento da Guarda Nacional, constatou uma equipe da AFP. Ebrard disse que os detalhes sobre esta operação seriam divulgados em breve.- Tom de "ultimato" -Deixar de lado o conceito de "terceiro país seguro" foi "o maior feito da negociação" alcançado na sexta-feira com os Estados Unidos, apenas dois dias antes do prazo que Trump havia dado para impor tarifas alfandegárias aos produtos do México, disse Ebrard.As declarações do chanceler ocorreram em um momento em que Trump voltou a fazer ameaças tarifárias.Trump disse que uma nova disposição do acordo seria divulgada "em um futuro não muito distante e que precisará do voto do Legislativo do México"."Não antecipamos um problema com a votação, mas se por alguma razão não vingar, as tarifas alfandegárias serão restabelecidas", tuitou o presidente.O México tem um congresso bicameral e o Morena, partido do presidente Andrés Manuel López Obrador, tem maiorias confortáveis nas duas casas.Trump tensionou as relações com seu aliado ao anunciar no fim de maio tarifas alfandegárias de 5% em todas as importações procedentes do México, que iriam aumentando cinco pontos percentuais mensalmente até um teto de 25% em 1º de outubro, se seu vizinho do sul não detiver o fluxo migratório rumo aos Estados Unidos.Especialistas em comércio advertiram para as consequências devastadoras que teria para as duas economias a entrada em vigor destas tarifas. No entanto, opositores e defensores dos direitos humanos se voltaram contra o governo mexicano pelo acordo migratório, dizendo que havia cedido demais e criminalizado a migração.A ameaça de impor tarifas crescentes detonou o momento mais difícil da relação bilateral, enfatizou Ebrard. O tom na mesa de discussões do lado americano, argumentou o chanceler, era "quase de ultimato - bom, tirem o quase".Pelo menos 1,2 milhão de empregos teriam sido perdidos, prosseguiu, o IVA teria que ser aumentado em 10% de uma só vez e o Produto Interno Bruto (PIB) teria caído mais de um ponto.

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