Publicado 10/06/2019 - 10h14 - Atualizado 10/06/2019 - 10h14

Por AFP


Ao menos 95 habitantes de um vilarejo da etnia dogom em Sobane-Kou, no centro do Mali, foram mortos na madrugada desta segunda-feira por homens armados, informaram à AFP um político local e uma fonte da segurança.Desde o surgimento em 2015 no centro do Mali do grupo extremista islâmico de Amadou Koufa, recrutando prioritariamente pessoas da etnia peul, tradicionalmente criadores de animais, os confrontos aumentaram entre esta comunidade e as etnias bambara e dogom, praticantes de agricultura, que criaram seus próprios "grupos de autodefesa"."Por enquanto contabilizamos 95 civis mortos. Os corpos foram queimados", declarou um político de Koundou, onde está localizado o vilarejo."De acordo com moradores locais, homens armados vieram atirar, roubar e queimar. Era um vilarejo de 300 habitantes, que foi totalmente desolado", acrescentou. "Foi um vilarejo dogom que foi quase inteiramente arrasado", afirmou uma fonte da segurança, apontado ter "contabilizado 95 mortos".O norte do Mali vive desde 2012 episódios regulares de violência ligados a grupos jihadistas. Zonas inteiras do país ainda escapam ao controle das forças malinenses, francesas e da ONU, apesar da assinatura em 2015 de um acordo de paz para isolar os extremistas.A violência se concentra sobretudo no centro do país, com conflitos intercomunitários, um fenômeno vivido igualmente por Burkina Faso e Níger.Em 23 de março, em Ogossagou, perto da fronteira com Burkina Faso, 160 pessoas da etnia peul foram mortos supostamente por grupos de caçadores dogons.Desde janeiro de 2018, a missão da ONU no Mali (Minusma) documentou 91 violações dos direitos Humanos cometidas por caçadores tradicionais contra civis peuls nas regiões de Mopti e de Ségou, com 488 mortos e 110 feridos.Por sua vez, grupos armados de autodefesa da comunidade peul cometeram 67 violações dos direitos humanos contra a população civil na região de Mopti no mesmo período, com 63 mortos e 19 feridos.sd/siu/sd/mr

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