Publicado 10/06/2019 - 01h14 - Atualizado 10/06/2019 - 01h14

Por AFP


Procuradores brasileiros agiram deliberadamente e, em alguns momentos, coordenadamente com o então juiz federal e atual ministro da Justiça Sergio Moro para prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, e impedir que a esquerda voltasse ao poder, segundo mensagens hackeadas reveladas neste domingo pelo The Intercept Brasil.Segundo o portal, que garante que este é "apenas o início" de uma série de revelações com base em informações entregues por uma "fonte anônima", este modo de agir politicamente motivado dos principais responsáveis pela Operação Lava Jato se deu em várias ocasiões desde 2016. A mais recente foi em outubro passado, quando os promotores atuaram para impedir que Lula, preso desde abril de 2018, fosse entrevistado por medo de que pudesse beneficiar seu afilhado político, Fernando Haddad, nas eleições presidenciais, vencidas finalmente por Jair Bolsonaro.Outras mensagens mostram que o principal procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, estava preocupado com a solidez das acusações apresentadas contra Lula para condená-lo como beneficiário do tríplex no Guarujá, que lhe teria sido entregue pela empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras.Dallagnol, que considera Lula o "cérebro" de uma organização criminosa para se manter no poder, mostra depois satisfação com a publicação de artigos na imprensa que mencionavam um possível vínculo do ex-presidente com o apartamento, situado no litoral de São Paulo.Lula, que cumpre por este caso pena de 8 anos e 10 meses de prisão, sempre se declarou inocente e denunciou uma "perseguição judicial" para impedir a volta de seu partido, o PT, ao poder.A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) admitiu em um comunicado que seus integrantes foram vitimas da ação criminosa de um hacker, mas informou ter tranquilidade com relação à legalidade e à forma imparcial de suas investigações."Os procuradores da Lava Jato não vão se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais", acrescentaram.O ministro Sergio Moro considerou, por sua vez, que nas mensagens que o citam "não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias".O The Intercept anunciou que estas revelações são "o primeiro resultado de uma grande investigação em andamento" sobre as provas da operação Lava Jato e sobre os atos de Moro quando era juiz federal e sobre o procurador Dallagnol.O The Incercept Brasil tem entre seus fundadores o jornalista Glenn Greenwald, que em 2013 revelou os vazamentos obtidos pelo analista Edward Snowden sobre os programas de vigilância maciça implementados pelos serviços secretos americanos da NSA.js/val/gm/mvv

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