Publicado 09/06/2019 - 14h14 - Atualizado 09/06/2019 - 14h14

Por AFP


Dos gastos de saúde que disparam à redução da mão de obra: pela primeira vez, os ministros da Economia e os presidentes dos Bancos Centrais dos países-membros do G20 financeiro abordaram, neste domingo (9), questões econômicas relacionadas ao envelhecimento da população.Anfitrião do encontro, que acontece em Fukuoda (sudoeste), o Japão não escolheu o tema por acaso. Muito em breve, vai-se tornar o primeiro país "ultravelho" do planeta, o que significa que 28% de seus habitantes terão 65 anos, ou mais. Serão cerca de 40% em 2050.Diante de um problema que freia seu crescimento, a terceira maior economia do mundo quer compartilhar sua experiência. Dirigido em particular às economias menos desenvolvidas, seu conselho é que ajam antes que seja tarde demais."O que dizemos é o seguinte: 'Se o envelhecimento demográfico começa a produzir um impacto antes de que fiquem ricos, não poderão mais tomar medidas eficazes'", advertiu o ministro japonês das Finanças, Taro Aso.Se a tendência afeta "a humanidade inteira, o G20 envelhece particularmente rápido", apontou o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Ángel Gurría, entrevistado pela AFP durante a reunião."É uma tendência que vai continuar, eu temo. Não é algo que se possa parar de repente", acrescentou.- Nos países emergentes também -No G20, estão reunidos países de perfil muito diferente: do "idoso" Japão a países muito jovens, como Arábia Saudita, Índia e África do Sul.A maior expectativa de vida e o retrocesso da taxa de natalidade contribuem para uma rápida expansão dos aposentados nos países ricos, como Alemanha, França, Espanha, Itália, ou Coreia do Sul, diz a OCDE, que fez uma série de estudos sobre o tema.Este problema se estende agora para países emergentes, como Brasil, ressalta.Até 2050, o número de habitantes de pelo menos 60 anos no mundo vai mais do que duplicar até passar de 2 bilhões."O envelhecimento exerce uma pressão sobre as finanças públicas, que se traduz em um aumento dos gastos em aposentadorias e saúde", explica o Fundo Monetário Internacional (FMI) em nota publicada neste domingo.O Japão sabe bem do que se trata, já que exibe uma enorme dívida equivalente a cerca de 230% de seu Produto Interno Bruto (PIB)."A riqueza desses países acabará sendo forçosamente afetada, já que cada vez menos pessoas estão em condições de trabalhar", segundo o Fundo.Além da necessária reforma dos sistemas previdenciário e de saúde, as organizações internacionais apostam nas mulheres e nos trabalhadores com mais 65 anos (idade para aposentadoria na maioria dos países desenvolvidos) para compensar o declínio da mão de obra."O Japão já tem um dos percentuais de participação mais elevados para os aposentados na OCDE", de acordo com informe recente da organização.Uma vez superada a idade para se aposentar, com frequência, as pessoas a partir dessa faixa etária são "recontratadas para vagas ruins e mal pagas", afirma a OCDE, acrescentando: "merecem algo melhor".hih-anb/jhd/mar/age/tt

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