Publicado 11/06/2019 - 14h33 - Atualizado // - h

Por Alisson Negrinho

Alpinista Rodrigo Rainieri tem motivos de sobra para se orgulhar de suas conquistas e se considera um filho de Campinas

Rodrigo Ranieri

Alpinista Rodrigo Rainieri tem motivos de sobra para se orgulhar de suas conquistas e se considera um filho de Campinas

Há quem utilize a expressão “topo do mundo” para referenciar grandes feitos. Outros usam a frase quando estão em pura felicidade. Já Rodrigo Raineri pode falar que está no topo do mundo quando realmente pisa em um dos pontos mais altos que existem: o Monte Everest. Localizado entre o Nepal e a China, a montanha tem seu pico a 8.848 metros acima do nível do mar e intimida boa parte dos alpinistas, mas não ele. Amante da natureza, Raineri tem motivos de sobra para se orgulhar de suas conquistas.

“A sensação de chegar ao topo é incrível. Na verdade o topo faz parte do caminho, é a metade, porque você precisa voltar tudo. A gente comemora muito, só que a principal comemoração é voltar pra casa. Chegar ao topo é a realização do sonho, de superação de desafios, sentir que você é capaz. Mas o sentimento de chegar em casa, estar vivo, voltar para sua família, seu trabalho, as coisas que você deixou aqui... É recompensador”, conta.

O alpinista não nasceu em Campinas, contudo, é como se fosse um filho da cidade. Natural de Ibitinga,chegou em 1987 ainda garoto, para estudar e prestar o vestibular da Unicamp, e não foi mais embora. Depois de fazer cursinho, não só entrou no curso de Engenharia de Computação, como também se formou. A época é guardada com muito carinho.

“Trabalhei em alguns projetos durante minha graduação, morei na Holanda e fiz parte de um projeto muito bacana de simulação de produção de queijo, montamos um simulador para colocar os ingredientes e obter resultados diferentes no processo industrial. Antes de produzir de fato, eram feitas simulações.”

O gosto por ambientes naturais acabou levando Raineri para o caminho das escaladas. Por mais que tenha simpatia por cavernas, cachoeiras e mar, os desafios encontrados quando se está subindo uma montanha despertaram a paixão. “Foi a atividade que mais me desafiou de maneira completa, inclusive a parte mental, de logística e também planejamento”, diz.

Desafios da escalada
A ida ao Monte Everest em março deste ano foi repleta de complicações, como a grande quantidade de pessoas, o que provocou um engarrafamento. Faltaram também condições higiênicas na manipulação de alimentos. Diante desses e outros empecilhos, Rodrigo Raineri acabou retornando antes do previsto ao Brasil.

“Tivemos problemas de saúde pública, H1N1, Influenza, etc. Passei por diversos episódios de intoxicação alimentar, infecções, fiquei muito doente e tive que voltar mais cedo pra casa”, explica o alpinista, que relembra uma situação delicada, quando seu companheiro de escalada, o médico e montanhista Mauro Chies, caiu numa greta, fraturando um de seus dedos numa queda de aproximadamente 10 metros.

“Este sem dúvida foi o momento de maior tensão desta expedição. Eu estava caminhando a alguns metros à frente do Mauro e quando olhei para trás ele já tinha caído. Pensei que tinha morrido.”

Para Rodrigo, na parte física, uma das principais dificuldades enfrentadas é manter a saúde, já que são dois meses de condições com pouco oxigênio, alimentação deficiente, problemas de higiene, além de acampar em cima do gelo, no ar frio e seco, que ataca as vias aéreas. Na questão mental, ele explica que estar longe da família e se manter motivado não é fácil.

“A escalada mais importante da minha vida foi a face sul do Monte Aconcágua, na Argentina, que é uma das mais difíceis de ser realizada. Já guiei expedições aos sete maiores cumes do mundo, e até então sou o único brasileiro a ter esse feito”, destaca Raineri, que liderou expedições também para Denali, no Alasca, Kilimanjaro, na Tanzânia, Maciço Vinson, na Ártica, Carstensz, na Oceania, e Monte Elbrus, na Rússia.

Palestrante e empreendedor
Apesar de ser engenheiro e ter se notabilizado pelas escaladas, Rodrigo tem como principal trabalho e fonte de renda as palestras. São 25 anos na área, falando sobre temas variados, como trabalho em equipe, motivação, superação de desafios e limites, segurança, procedimentos, análise e avaliação de riscos.

“Também falo sobre a parte cultural e educacional, faço palestras sobre os estados da água, as questões dos desvios da luz, fauna, flora, geografia e preservação do meio ambiente. Uma infinidade de assuntos que exploro, dependendo do público ouvinte, usando sempre as expedições como pano de fundo”

Atualmente, o alpinista também tem se dedicado ao que ele considera o principal projeto de sua vida, chamado “Destinos Inteligentes”. Trata-se de uma plataforma de turismo com informações sobre as cidades e seus atrativos. O objetivo é revolucionar o turismo no Brasil.

“Campinas é uma cidade incrível, mas as pessoas não sabem, por exemplo, que temos grandes atrativos, inclusive naturais. Por exemplo, a região de Sousas e Joaquim Egídio tem trilhas incríveis de bicicleta. Isso precisa ser melhor divulgado e organizado.”

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Alisson Negrinho