Publicado 11/06/2019 - 14h23 - Atualizado 11/06/2019 - 14h27

Por Daniela Nucci e Kátia Camargo

O casal Victoria Mathias, 23 anos e Arthur Baiochi, 26 anos, conheceram-se através de um aplicativo de namoro na internet.

Leandro Ferreira/AAN

O casal Victoria Mathias, 23 anos e Arthur Baiochi, 26 anos, conheceram-se através de um aplicativo de namoro na internet.

Para não cair em roubada
A pesquisadora Cristiane Dias, do laboratório de estudos urbanos - Nudecri/Unicamp, especialista em análise de discurso digital afirma que conhecer alguém, seja pelas redes sociais ou não, deveria ser visto sempre como uma experiência de afeto, de troca entre pessoas que acreditam poder se entrever na relação com o outro. Porém, ela recomenda não se expor demais, procurar resguardar por um tempo a vida pessoal, pois nas redes sociais há muito de invenção. Nos encontros, preferir espaços com mais pessoas, procurar dar mais tempo para que a intimidade se construa. "A vida que vivemos é urgente e a própria rede social é da ordem do instantâneo, do fluxo rápido, mas podemos tentar lidar com esse instantâneo confiando mais no entrevisto dos nossos sentimentos", diz .
As gerações vão se sucedendo e o relacionamento amoroso vai ganhando novos contornos. Formar um casal de namorados hoje em dia deixou de depender somente de amigos em comum, de uma paixão à primeira vista, de um olhar mais atrevido de um colega de trabalho ou de um encontro às cegas. A internet tem mostrado seu lado cupido e possibilitado que muitas uniões deixem o plano virtual e passe para o real, com sucesso. Em tempos de conectividade intensa, namorar ou paquerar tem se tornado cada dia mais comum e muitos casais apaixonados começaram suas histórias nessas movimentadas redes sociais. Instagram, Tinder, Facebook e Happn são algumas das inúmeras opções para quem quer encontrar a cara-metade. Foi assim que quatro casais se encontraram e estão juntos e felizes. E para comemorar o Dia dos Namorados, a Metrópole conta estas histórias de amor na era digital. Não é de hoje que as pessoas buscam na internet uma forma de conhecer alguém especial. Para ajudar preparamos também um glossário para entender um pouco deste universo do amor on-line.
Um dos aplicativos que está formando muitos casais é o Instagram. Com mais de 1 bilhão de usuários ativos mensalmente, a rede deixou de ser apenas o lugar para ver fotos, vídeos engraçados, acompanhar as férias dos amigos e as tendências de moda e beleza. De acordo com a pesquisa Papo Digital, da empresa de pesquisa de mercado Hello, 79% dos jovens adultos têm o Instagram instalado em seus celulares. E 84% deles usam as redes sociais para conversar com seus amigos e conhecidos. Destes, 31% também se preocupam em mostrar seus gostos e personalidades em seus perfis.
Foi a partir dele que a jornalista Camilla Bianchessi Urias, de 31 anos, e o consultor de negócios Gabriel Silveira Franco, de 34, se conheceram há três meses. Para ela, no Instagram as coisas acontecem naturalmente. “A conversa rola, o encontro é totalmente despretensioso. E no nosso caso, aconteceu tudo de forma natural, nada forçado. Fomos nos conhecendo, os jeitos batendo, a gente foi sentindo vontade de ficar juntos”, diz. Segundo Camila, nesse aplicativo a pessoa consegue saber mais coisas da vida do outro sem ela falar. “Dá para saber locais que frequenta, quem são os amigos, o que faz”, conta.
O primeiro interesse partiu do consultor. “Ele começou a me seguir e mandar mensagem privada. Mas na época, não liguei. Pensei, coisa boa não é! Não da pra confiar nessas coisas de internet, não sabia quem era. A conta dele era bloqueada. Entrei e não conseguia ver se era bonito, o que fazia, só tinha a fotinha do perfil”, comenta a jornalista. Camila conta que, mesmo com todo esse receio, o tempo foi passando e ele começou a acompanhar seus stories. “Ficava sempre entre os primeiros visualizadores. Quando comecei a seguir, ele começou a conversar comigo no particular e me convidou para almoçar num restaurante bacana. Cada um foi com seu carro, e tive a chance de conhecê-lo”, recorda. “Nosso almoço foi superbacana, o assunto foi legal! No mesmo dia, já fomos tomar café à tarde juntos novamente. Só depois de dois dias rolou o primeiro beijo, em Jundiaí, quando se encontraram numa casa noturna. “Desde então nunca deixamos de conversar e nos encontrar. O pedido de namoro rolou no Carnaval deste ano, quando estávamos em Gramado. Hoje, estamos em Cancún, no México, comemorando 3 meses de namoro e o Dia dos Namorados”, diz Camila. O consultor disse que nunca acreditou que o aplicativo pudesse funcionar. “Não achava que dava para começar um namoro pelo Instagram. Até porque buscava apenas meus amigos”, diz Franco, que, no final, viu que a rede social virou o cupido amoroso.
Na base da brincadeira
Em boa parte das histórias, o mundo virtual pode proporcionar o que não seria possível na vida real. Prestes a completar dois anos de namoro, a estudante de pedagogia Carla Beatriz, 21 anos, e o analista de sistema Vinícius Marson, 23 anos, foram colocados em um grupo de WhatsApp para participar da festa de aniversário de uma amiga em comum. Como Bia (como é chamada) foi a última pessoa a entrar no grupo, Vinícius mandou um ‘oi’ e ela começou a conversar com ele no privado. “Sem nos conhecermos pessoalmente resolvemos fazer uma brincadeira no Facebook e colocamos que estávamos em um relacionamento sério. Depois nos conhecemos e começamos a namorar de verdade”, conta. Ela destaca que no começo muitas pessoas não acreditaram que engatariam um romance por muito tempo. “Como começou como uma brincadeira ninguém levou a sério, mas estamos provando que o amor pode chegar na vida de diferentes formas. E nosso cupido foi o WhatsWapp”, destaca.
Virtual mas com formalidades reais
A advogada Victoria Mathias de Oliveira, 23 anos, e o engenheiro civil Arthur Gusson Baiochi, 26 anos, estão juntos há 2 anos e cinco meses. Eles se conheceram após ela ter baixado um App de relacionamento e ter encontrado Arthur - que estava prestes a sair do site. “Lembro-me que após certo tempo de uso do App e alguns encontros decepcionantes, decidi que caso não aparecesse ninguém interessante até o final de semana, deletaria o aplicativo. Isso foi em uma sexta-feira. Eis que naquele fim de semana, aos 45 do segundo tempo, apareceu a Vic. Não tinha forma melhor de encerrar o uso do App”, lembra Arthur.
Victoria lembra que tinha acabado de voltar a morar em Campinas, e terminado um longo relacionamento. “Eu e duas amigas baixamos o aplicativo de relacionamentos e quando chegou o perfil do Arthur dei um like para ver se era bom de papo e marcamos de almoçar juntos”, diz.
Ela destaca que não é porque se conheceram na internet que não tiveram algumas formalidades. “Meu pai fez questão de que ele fosse em casa pra terem uma conversa séria. E depois de um mês e pouco de termos dado match (termo usado para mostrar que se está interessado em alguém nos aplicativos de encontro) passamos a namorar”, conta Victória.
A história de amor da jornalista Carolina Sibila, de 32 anos, e do empresário Marcelo Ortiz, de 38, começou há pouco mais três de anos por meio de um aplicativo de paquera. Ambos tinham acabado de sair de relacionamentos conturbados e entraram no aplicativo para saber como funcionava. E não é que a curiosidade coincidiu com um match?. “Depois de alguns dias de conversa, ele pediu meu WhatsApp e passei. Numa quinta ele me chamou pra sair e aceitei. No sábado ele foi me buscar na portaria do meu condomínio e me levou pra jantar. Todo mundo me pergunta como fui assim no carro de um desconhecido? Bem loucura mesmo. Fui até com meu GPS ligado no celular caso me acontecesse alguma coisa e alguém resolvesse me procurar”, conta a jornalista. A ligação foi perfeita. “Fomos jantar e foi uma das melhores noites que já tive. Conversamos a noite toda e ele nem na minha mão pegou. Só no final da noite, depois de alguns drinques, que ele me beijou. Depois me levou para casa e desde então nunca mais ficamos longe um do outro”, derrete-se Carol. Apesar de a relação ter iniciado em um aplicativo, os dois encaram o relacionamento como algo sério. “A gente é muito parceiro um do outro. Ele me apoia demais em tudo que faço e vice-versa. A gente nunca briga por nada, gosta das mesmas coisas, tem o mesmo estilo de vida, mesmo jeito de pensar e meu filho Igor adora ele. É como se fosse uma peça que faltava que se encaixou perfeitamente!”, diz Carolina.

Escrito por:

Daniela Nucci e Kátia Camargo