Publicado 03/06/2019 - 14h08 - Atualizado 03/06/2019 - 14h08

Por Mary Jane A. Paiva


Quantos selfies você tirou hoje? E quantas pessoas verdadeiramente realizadas viu?
Selfies. A prática é popular, o ato é aparentemente inocente (o de registrar um momento memorável), mas a repetição compulsiva deste hábito não é saudável e vem afetando muita gente.
O crescimento das redes sociais despertou o desejo de super exposição e também de olhar e controlar a vida alheia. O motivo: a competição social, a busca de atenção, autoconfiança por meio de likes (que logo serão limados das redes sociais, segundo anuncio de seu mentor: Mark Zuckeberg).
Chama-se selfitis a patologia desencadeada pelo exercício da auto-exposição e do narcisismo virtual. E é motivada pela necessidade de aprovação alheia e de pertencimento. Quanto mais esta sensação é saciada, mais selfies serão postados, maior será a ilusão de se ter muitos amigos, de que se é um ser especial.
Assim funciona sociedade de espelhos dirigidas pela inteligência artificial, mídia, redes sociais, enfim pelo matrix que incentiva a vaidade, o egoísmo, as excitações e o narcisismo doente.
Você conhece alguém que se autopromove o tempo todo? Vive preocupada com sua aparência e status, muito voltada para si própria e se sente mais bonita e mais importante que os demais? Pois bem.
Este comportamento egoísta e vaidoso se espalhou como um vírus, e é cruel: cria uma preocupação excessiva com sua própria satisfação pessoal e prestígio em detrimento aos outros a sua volta.
Alimentar a paixão por si mesmo é natural e saudável no momento do nosso desenvolvimento infantil. Sua amplificação e continuidade na fase adulta pode representar algo disfuncional e doente. Resulta em arrogância, sentimento de superioridade aos olhos alheios. Mas no íntimo é sobre impotência ou onipotência e uma distância imensa da felicidade em sua verdadeira potência, que não é virtual.
Fala-se muito de fake News. O selfie é uma das mais “antigas” e perigosas das redes sociais. Cuidado para não praticar a sua, nem alimentar a alheia. É um vício, como qualquer outro, nocivo.

Escrito por:

Mary Jane A. Paiva