Publicado 16/05/2019 - 20h33 - Atualizado 16/05/2019 - 20h34

Por Estadão Conteúdo

Essa foi a segunda queda seguida do dólar.

Cedoc/ RAC

O dólar rompeu definitivamente o teto dos R$ 4

Dólar e Bolsa registraram nesta quinta-feira, 16, forte tensão. Depois de sucessivos ensaios nos últimos dias, o dólar rompeu definitivamente o teto dos R$ 4 na sessão desta quarta-feira (15). Já o principal indicador da Bolsa, o Ibovespa, registrou o nível mais baixo, em pontos, deste ano.
Em meio ao fortalecimento global da moeda americana e, sobretudo, a busca por proteção diante da deterioração contínua do capital político do presidente Jair Bolsonaro e da piora das expectativas para a economia. Com mínima de R$ 3,9947 e máxima de R$ 4,0416, o dólar à vista fechou em alta de 0,98%, a R$ 4,0357, o maior valor de fechamento desde 28 de setembro do ano passado. E as perspectivas de operadores e analistas ouvidos pelo Broadcast são de que a taxa de câmbio se mantenha acima de R$ 4 no curto prazo.
O humor do mercado doméstico, que já vinha ruim por conta das questões políticas, piorou nesta tarde com a notícia de que a Vale informou ao Ministério Público de Minas Gerais que há risco de rompimento da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais. Pressionado pela queda de mais de 3% dos papéis da Vale, o Ibovespa renovou mínimas e chegou a perder pontualmente o patamar dos 90 mil pontos, mas fechou em baixa de 1,75%, aos 90 024,47 pontos, menor patamar do ano -, na contramão das Bolsas em Nova York, que subiram com o maior apetite ao risco externo.
A corrida ao dólar começou já na abertura dos negócios em meio à conjunção de alta da moeda americana no exterior e ao aumento das tensões políticas. À surpresa com a magnitude dos protestos de rua na quarta contra o contingenciamento da educação somaram-se as preocupações com os desdobramentos da quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro, aparentemente envolto em transações suspeitas com imóveis.
As declarações de Bolsonaro, que chamou manifestantes de "idiotas", e a piora da situação fiscal, com o governo sem forças nem para aprovar com facilidade crédito suplementar, completavam o quadro de desalento. Um presidente com capital político erodido e sem base de apoio no Congresso significa dificuldades enormes para aprovação das reformas.
"Não se sabe se vai demorar muito mais para a aprovação da reforma da Previdência e qual vai ser a desidratação. Isso faz o mercado tomar uma postura mais defensiva", afirma Felipe Pellegrini, gerente de Tesouraria do Travelex Bank, ressaltando, contudo, que a piora das perspectivas para a economia também contribuem para depreciação do real. "Antes era só a questão da Previdência. Agora, temos a projeção de PIB muito fraco e essa questão dos protestos. A tendência é de alta do dólar no curto prazo."
Vale
Foi um agravante significativo para o Ibovespa no período da tarde o caso Vale. As ações da mineradora passaram a registrar perdas fortes após a notícia de que a mineradora informou ao Ministério Público de Minas Gerais sobre uma deformação na estrutura na mina de Gongo Soco, "passível de provocar a sua ruptura".
No documento, a empresa estimou que se as condições se mantiverem, a ruptura da estrutura poderá ocorrer no período de 19 a 25 de maio. Ao final do pregão, Vale ON teve queda de 3,23%.

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