Publicado 04/05/2019 - 14h56 - Atualizado // - h

Por France Press

Em vários pontos da cidade, os adversários se reuniram para ir em direção a outras unidades militares

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Em vários pontos da cidade, os adversários se reuniram para ir em direção a outras unidades militares

Opositores convocados pelo líder Juan Guaidó marchavam neste sábado em direção aos principais quartéis venezuelanos para exigir que as Forças Armadas deixem de apoiar o presidente Nicolás Maduro, após a fracassada rebelião de terça-feira.

Vigiados pela polícia antidistúrbios, um pequeno grupo leu uma proclamação em frente ao comando da Marinha sem maiores incidentes, informou a AFP.

Na proclamação, os manifestantes pediram que a Força Armada deixe de apoiar Maduro e aprove um governo de transição liderado por Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países.

Em vários pontos da cidade, os adversários se reuniram para ir em direção a outras unidades militares, embora sem grandes concentrações.

Em resposta, Maduro se reuniu com o alto comando e cerca de 5.300 soldados no centro de treinamento El Pao, no estado de Cojedes (noroeste).

No discurso, o presidente convocou os militares para que fiquem a postos para defender o país de um eventual ataque dos Estados Unidos.

Acompanhado pelo alto comando e milhares de soldados, Maduro pediu que eles "estejam prontos para defender o país com armas na mão, se o império americano ousar tocar essa terra".

"União, coesão, disciplina, obediência, subordinação e fundamental para a Constituição, o país, a revolução e o comandante-em-chefe legítimo!", afirmou o presidente ante de cerca de 5.000 soldados, cadetes em sua maioria.

A Casa Branca não descarta uma ação armada no país com a maior reserva de petróleo, afundada na pior crise socioeconômica de sua história moderna.

Antes do discurso, transmitido por rádio e televisão estatais, Maduro dirigiu um veículo militar em uma grande esplanada onde funciona a base de treinamento da Forças Armada de El Pao.

Primeiro passo
O líder da oposição, que liderou o levante junto com outro nome importante do movimento, Leopoldo López, libertado pelos insurgentes de sua prisão domiciliar, enfatizou a natureza pacífica das manifestações deste sábado.

Os distúrbios de terça-feira e os protestos contra Maduro na quarta-feira deixaram quatro civis mortos, 200 feridos e 205 detidos, segundo a Anistia Internacional.

Negando um fracasso da rebelião de terça, Lopez argumentou que essa ação "sempre foi considerada como um primeiro passo" e que "a ruptura (militar) já começou".

Guaidó assegura que mantém conversas com funcionários de todos os escalões que apóiam a saída de Maduro para celebrar novas eleições.

"As forças de oposição subestimaram a resistência de Maduro e sua capacidade de enfrentar pressões significativas nas ruas", comentou o analista Michael Shifter, do Inter-American Dialogue.

Segundo Guaidó, uma mensagem aos militares ratifica o "compromisso" da legislatura, com uma maioria de oposição, com uma lei de anistia para aqueles que viram as costas a Maduro.

Guaidó já havia organizado mobilizações em janeiro para os destacamentos militares para entregar o texto dessa norma.

"Eu não acho que isso vai produzir a ruptura militar, mas contribui para algo maior acontecendo em breve", disse Marcos Rodriguez, um advogado de 24 anos, à AFP, se preparando para marchar para La Carlota.

"Você tem que ir em frente e acreditar, porque esta é a única maneira, caso contrário nós afundamos. A Forças Armada está cedendo, estamos vendo isso", declarou, por sua vez, Keyla Pacheco, uma publicitária de 55 anos.

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