Publicado 06/05/2019 - 20h11 - Atualizado 06/05/2019 - 20h11

Por France Press


AFP

"A educação não é esmola, tire as mãos da minha escola!", gritavam os manifestantes contra o corte de verbas para as universidades, promovido pelo governo Bolsonaro

Centenas de alunos, pais e professores de colégios federais protestaram nesta segunda-feira (6) em frente ao Colégio Militar do Rio de Janeiro, localizado no bairro da Tijuca (zona norte), onde o presidente Jair Bolsonaro participava de um evento pelos 130 anos de fundação da instituição. A manifestação foi realizada contra a decisão do governo de cortar 30% das verbas para a educação.
O ato contou com a presença de estudantes e professores do Colégio Pedro II, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia (IFRJ), do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), da Fundação Osório e do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp-UFRJ).
"A educação não é esmola, tire as mãos da minha escola!", gritavam os manifestantes, indignados com a decisão anunciada na semana passada pelo Ministério de Educação de reduzir o orçamento destinado a universidades e institutos federais de ensino.
Inicialmente, o ministro da pasta, Abraham Weintraub, informou numa entrevista ao jornal Estado de São Paulo que cortaria as verbas de três universidades federais acusadas de "semear a desordem" (Universidade Nacional de Brasília, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal da Bahia). Mas, diante da repercussão da medida, o ministro ampliou os cortes para todas as instituições federais. "O governo reduziu em 30% os recursos destinados às instituições federais. Isso congela a educação pública, a pesquisa, a educação técnica. Estes protestos têm que continuar porque este governo tem atacado sucessivamente a educação", disse à AFP Maurílio Torres, estudante de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e ex-aluno de uma das escolas secundárias afetadas pelos cortes.
Para evitar contato com os manifestantes, Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão deixaram o Colégio Militar por uma saída pelos fundos da instituição.
Durante a cerimônia, o presidente elogiou a "disciplina e o amor à pátria" preconizado nas instituições militares, as quais pretende ampliar durante seu mandato. Durante o evento comemorativo, um grupo de alunos do Colégio Militar desfilou em frente ao presidente, enquanto muitos lhe dedicavam gestos de apoio (formando um coração com as mãos). Já outro grupo reprovava o presidente com os polegares virados para baixo.
De acordo com o site de notícias G1, as instituições militares de ensino não terão cortes porque são vinculados ao ministério da Defesa e não ao da Educação. Os cortes "vão comprometer enormemente a ciência e a tecnologia do Brasil de uma geração inteira", afirma Kátia Barbosa, de 57 anos, docente da Universidade Federal Fluminense e ex-aluna do Colégio Pedro II, ambos afetados pelos cortes. "O governo está promovendo uma desmontagem completa do país, de tudo o que foi construído até hoje. Vai levar muitos anos para reconstruir tudo", acrescentou Barbosa.
O presidente Bolsonaro já havia provocado um acalorado debate ao indicar recentemente através de sua conta no Twitter que seu governo estava considerando cortar os fundos públicos destinados aos cursos de Filosofia e Sociologia nas universidades. "O objetivo é centrar nas áreas que geram um retorno imediato para o contribuinte, como Veterinária, Engenharia ou Medicina", explicou.
Desde que tomou posse em janeiro, Bolsonaro está empenhado em levar adiante uma cruzada ideológica para substituir com valores ultraconservadores que o levaram ao poder os principais vestígios do que foi implementado durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) entre 2003 e 2016. 

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