Publicado 07/05/2019 - 12h09 - Atualizado 07/05/2019 - 12h09

Por Da Agência Anhanguera

Bailarina coloca em cena questões autobiográficas sobre sua condição genética

Divulgação

Bailarina coloca em cena questões autobiográficas sobre sua condição genética

Em cena, corpo, música e um objeto-corpo pneumático compõem uma dança tecida entre fragilidade, limite e respiração. Trata-se do espetáculo 0 (zero), solo da bailarina Letícia Rodrigues, que traz ao palco questões autobiográficas sobre uma condição genética que afeta seu corpo. O espetáculo estreia hoje para duas apresentações no Sesc Campinas e prossegue no final de semana no Salão do Movimento.
Contemplado pelo ProAC Obras Inéditas de Dança, do governo do Estado, 0 (zero) é uma dança desenvolvida na tessitura entre fragilidade, ontogênese (processo evolutivo acerca das alterações biológicas sofridas pelo indivíduo, desde o seu nascimento), limite e erro. Com música ao vivo e projeção de uma videodança, a coreografia é uma pesquisa em dança que tem como impulso uma forte experiência pessoal, em que o corpo da bailarina embrenha-se com um ser pneumático, na construção de um espaço que compõe um organismo único.
Há 10 anos Letícia Rodrigues descobriu que possuía uma condição genética que limitava sua materialidade: a Síndrome da Hipermobilidade Benigna ou frouxidão ligamentar, que deixa suas articulações mais moles e pode afetar a estrutura óssea devido a um erro na produção de colágeno. Para ela, 0 (zero) a leva a refletir, a repensar e a trilhar caminhos para seguir adiante profissionalmente. “O espetáculo fala sobre essa minha condição e os sentimentos e sensações que me atravessam, além de questionar como essa condição amplia possibilidades, ao invés de ser limitante. Se há limites, como dançar com isso? O que é o limite para o corpo que dança? Como a dor pode ser revigorante e te fazer ir além para superá-la?”, explica a bailarina.
Em 0 (zero) Letícia traz para a cena a estética do erro na dança em contraponto com os limites do corpo. “O solo é uma pesquisa em dança que já venho tateando, e que agora compartilho, não como forma de vitimismo, mas buscando a fragilidade enquanto potência para o desenvolvimento de uma dança singular. É o desejo de como devo seguir, como posso continuar dançando e quais serão meus próximos passos. A ideia é de começar do zero, de reaprender”, conta ela.
O espetáculo começa com a bolha gigante (ser pneumático) vazia. Letícia inicia a dança construindo um novo ambiente ao encher a bolha de ar, que representa uma célula ou uma bolsa amniótica. Quando totalmente cheia, a bailarina ocupa os diversos espaços da cena, fora e dentro da bolha – onde acontece a transformação do objeto e do corpo da bailarina como se ambos fossem apenas um.
As apresentações em Campinas contam ainda com uma residência artística de 21 a 24 de maio, de terça a sexta-feira, das 19h às 21h30, no Sesc Campinas.
AGENDE-SE
O quê: 0 (zero), com Letícia Rodrigues
Quando: Hoje e amanhã, às 20h
Onde: Sesc Campinas (Rua D. José I, 270/333, Bonfim)
Quando: Sábado e domingo (11 e 12/5), às 19h
Onde: Salão do Movimento
(Rua Abílio Viléla Junqueira, 712, Barão Geraldo, fone: 3287-8861
Quanto: Entrada franca

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