Publicado 02/05/2019 - 15h10 - Atualizado 02/05/2019 - 15h10

Por Da Agência Anhanguera

Telas selecionadas trazem um recorte da produção de Niculitcheff que, apesar do período extenso e da disparidade temática, é costurado pelo tratamento particular dado às pinturas

Sergio Niculitcheff/Divulgação

Telas selecionadas trazem um recorte da produção de Niculitcheff que, apesar do período extenso e da disparidade temática, é costurado pelo tratamento particular dado às pinturas

Pela primeira vez reunidas para exibição em Campinas, 17 pinturas em grande escala do artista plástico Sérgio Niculitcheff, algumas inéditas, integram a mostra Etérea Concretude, que abre hoje no instituto Pavão Cultural, em Barão Geraldo. Com tamanhos entre 1,30 x 1,30m e 2 x 2,50m, as obras tiram partido da amplitude da galeria, que oferece um dos poucos espaços locais dedicados às artes idealizados para comportar exposições desse porte. 
As telas selecionadas foram produzidas nos últimos 15 anos e retratam formas a princípio desconexas, um recorte da produção de Niculitcheff que, apesar do período extenso e da disparidade temática que caracterizam o conjunto, é costurado pelo tratamento particular dado às pinturas, segundo o artista.
“Essencialmente, toda a minha produção é permeada pela questão da tridimensionalidade. Os elementos imaginados são tratados com claro/escuro de maneira a tornar palpável sua volumetria, potencializando, assim, o seu vigor. As formas eleitas como tema possuem densidade e se mostram acentuadamente escultóricas em sua representação. Isso conecta o conjunto da obra, dando-lhe uma identificação coesa", define Niculitcheff.
Sobre as temáticas das pinturas, ele entende que as formas que constituem o seu universo artístico “se mostram misteriosas” e, embora resultem em uma representação poética singular, constituída a partir de carga simbólica pessoal, possuem “um forte apelo empático” de identificação com o público. Ao tirar figuras como um colchão, uma escada ou um livro, de seus ambientes, retratando-as sobre fundo neutro, o artista propõe não apenas remover a rede contextual que pode defini-las, mas dirigir a atenção do observador para a beleza de sua trivialidade.
"Elas (as pinturas) enfocam o aspecto lírico do imaginário presentes em figuras do cotidiano. Destituídas de referências temporais e descontextualizadas espacialmente, as imagens apresentadas reforçam o aspecto de um "não-lugar" de objetos banais, que as isolam e silenciam, nos remetendo a procedimentos formais da pintura metafísica. Assim, apesar de uma presença quase que física das imagens, elas se mostram visivelmente voláteis, apresentando-se como uma etérea concretude”, coloca o artista.
Para o arquiteto Mário Braga, sócio-proprietário do Pavão, os quadros de Niculitcheff remetem a imagens oníricas. "Me impressiona em sua obra a diversidade de técnicas, sempre apuradas, a precisão e beleza das pinturas, gravuras e esculturas, retratando a simplicidade de objetos comuns como se eles aparecessem durante os nossos sonhos”, comenta.
Braga conta que, embora contemporâneos no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (Febasp), ele na Arquitetura e Niculitcheff nas Artes Plásticas, o contato pessoal é recente, embora a admiração venha de longa data. “Conheci o Sérgio pessoalmente somente há dois anos, movido pela curiosidade de conhecer o autor de uma obra que havia recebido de presente há tempos. Apresentado por uma amiga em comum, fui convidado a conhecer seu ateliê em São Paulo. Trabalhando com expografia e ele sempre produzindo, continuamos a nos manter próximos, inclusive na intenção de viabilizar uma exposição individual. Com o Pavão, surgiu essa possibilidade, e a honra de recebê-la”, afirma.
O artista
Sergio Niculitcheff (1960) tem cerca de 40 anos de atuação no circuito das artes plásticas. Iniciou sua carreira nos anos 70, tendo desde então exibido suas obras individualmente ou em mostras coletivas no Brasil e no exterior. Tem pinturas no acervo de diversos museus brasileiros e em coleções particulares significativas. Atualmente leciona disciplinas de pintura no Instituto de Artes da Unicamp.
AGENDE-SE
O quê: Exposição Etérea Concretude
Quando: Hoje, às 19h. Até 6/7, de quarta a sexta, das 13h às 20h; sábados, das 11h às 17h
Onde: Instituto Pavão Cultural (Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708, Cidade Universitária, Barão Geraldo, fone: 3397-0040)
Quanto: Entrada franca (Para agendamento de atividades e visitas mediadas para escolas e entidades de assistência social: educativo@pavaocultural@org ou (19) 99118-0337 (com Paula Monterrey)

Escrito por:

Da Agência Anhanguera