Publicado 08/05/2019 - 10h32 - Atualizado 08/05/2019 - 10h32

Por Mary Jane A. Paiva


Mas é possível vencê-la com autoconhecimento, ambição e realização
Você sabe que todo mundo tem medo de olho gordo, mas e você: já colocou olho gordo em algo ou em alguém? Já sentiu raiva da sua colega de trabalho quando ela foi promovida e você não? Já sentiu um prazer quase sádico de constatar que aquela mulher linda, sua vizinha que todos admiram, não está mais tão brilhante assim? Ou quando seu amigo boa pinta, que sempre fez sucesso com o sexo oposto, perdeu o seu charme e deprimiu?
No universo feminino onde os padrões de beleza são obsessivos, a inveja é algo recorrente. E até é alimentada. As princesas dos contos de fadas espelham isso muito bem, são belas e vulneráveis e as bruxas malvadas, não tão belas, representam a inveja (que até a pequena leitora sente) diante a tamanha perfeição.
E sempre há, desde os contos de fadas, fofocas, difamação e até violência na forma de inveja. Não por acaso, muitas culturas têm amuletos contra inveja, olho gordo e mal olhado. Isso acontece porque a inveja é presente e constante na humanidade. Porque é alimentada. Que pena!
Não é fácil admitirmos isso, tampouco que pertencemos a isso, que somos invejosos de algo ou de alguém. Porque sentir inveja é sinônimo de "fracasso", de muita vergonha, em uma sociedade que nos faz crer que somos todos (e temos a obrigação) de sermos os melhores.
A inveja é tão antiga quanto essa ideia. Segundo a psicanalista Melaine Klein, o bebê já sente inveja quando se percebe impotente diante das tetas fartas de leite de sua mãe (ou cuidadora). Quando esta sua fonte criadora da qual é dependente, não o gratifica imediatamente sente-se frustrado, sente inveja e destrói este seio que lhe parece mau e, suga o leite quando o seio lhe parece bom e gratificante.
Ou seja, inveja é algo muito forte que todos nós reconhecemos e sentimos em algum momento na vida ( e não estou me referindo aos bebês aqui, que fique claro). O problema é que quando somos dominados pela inveja nos tornamos inseguros e com baixa estima e nos distanciamos de nossas qualidades e sucessos.
Não olhamos para nós, nos abandonamos e o outro se torna o objeto da sorte e do sucesso. Passamos a olhar o outro com lente de aumento, enfim a galinha do vizinho bota ovo amarelinho! E aí você pode pensar “mas a minha inveja é aquela positiva, sabe?” Não sei. Ao menos que você de fato transforme todo seu veneno invejoso de, em algo construtivo para quem/ o que o dirige, só existirá mesmo a inveja.
Um sentimento é a inveja, outro é a inspiração, de olhar um bom exemplo, exaltá-lo e seguir seus passos com ambição e admiração. Outra é recalque, que é inveja mesmo. Domar a inveja é encontrar a vitória de ser você. Neste momento pode ser que corra o risco de ser invejado por alguém. Mas olho gordo só pega em quem acredita que o outro tem poder sobre ele. Quando você tem autoconhecimento e autoconfiança, não tem disso. Nem inveja alguma pega!

Escrito por:

Mary Jane A. Paiva