Publicado 17/05/2019 - 23h19 - Atualizado 17/05/2019 - 23h19

Por Francisco Lima Neto

D. Vilson Dias de Oliveira, ex-bispo da Diocese de Limeir

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D. Vilson Dias de Oliveira, ex-bispo da Diocese de Limeir

O Vaticano anunciou nesta sexta-feira (17) que o papa Francisco aceitou a renúncia de d. Vilson Dias de Oliveira, bispo da Diocese de Limeira. D. Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, foi nomeado provisoriamente para a função. A renúncia acontece em meio à acusação de apropriação indébita, extorsão e de acobertar crimes de assédio sexual que supostamente foram cometidos por outro padre. Oliveira continua ligado à Igreja Católica e segue com futuro incerto. Ele pode ser nomeado em outra diocese ou para outra função dentro da Igreja.
Na apresentação, d. Orlando estava acompanhado do Vigário-Geral da Diocese de Limeira, padre Júlio Barbado, e do cura e pároco da catedral Nossa Senhora das Dores, padre Benedito Tadeu Rosa. Inicialmente, padre Júlio leu uma mensagem de Dom Vilson direcionada à Comunidade Católica da Diocese de Limeira.
D. Orlando disse que ficará nessa missão confiada a ele por tempo indeterminado, “administrando a diocese e dando continuidade à vida pastoral, buscando soluções da organização da Igreja e ficando no aguardo da nomeação de um novo bispo”.
O Administrador Apostólico destacou a importância da “unidade para a caminhada evangelizadora da Igreja Particular de Limeira”, e que espera o crescimento da diocese a cada dia na presença de Deus.
A carta de renúncia foi lida nesta sexta de manhã aos fiéis. Na carta, d. Vilson escreve que nos últimos tempos tem recebidos ataques. "Queridos irmãos e irmãs, nesses últimos meses enfrentamos todo tipo de cruzes, por meio de ataques à nossa Igreja Particular de Limeira, a mim e a vários presbíteros. Reconheço minhas limitações, mas também levo no coração todo amor que aqui recebi do bom Povo de Deus presente nos 16 municípios que compreendem esta Igreja Particular de Limeira".
Ele ainda afirma que renuncia por amor à Igreja. "Com imensa gratidão, digo-lhes que sempre fui muito bem acolhido e aceito pelo povo desta importante Diocese de Limeira. Hoje me despeço de vocês como Bispo Diocesano e peço minha renúncia por amor à Igreja de Cristo e pelo bem desta Diocese para que os trabalhos pastorais possam continuar crescendo e se fortalecendo com a doação incansável de cada um de vocês que se dedicam ao Reino de Deus", traz trecho da carta.
D. Vilson afirma que se sente pequeno. "Foram quase 12 anos de minha nomeação que tive a oportunidade de servir ao Senhor e à Santa Mãe Igreja nestas terras, enfrentei com alegria cada desafio da realidade aqui encontrada. Sei que a dimensão pastoral é imensa, e muito trabalhei para isso. No entanto, neste momento, sinto-me pequeno frente à grandeza da missionariedade que esta Igreja Particular tomou em suas proporções", afirma.
Nos trechos finais fica claro que Oliveira ainda não sabe qual seu futuro. "Levo no meu coração este aprendizado, na confiança e certeza de que a obra é de Deus, e me coloco à disposição da Santa Mãe Igreja para servi-la não importando o lugar e o ministério a mim confiado por Deus daqui para frente", escreve nas partes finais.
Acusações
A renúncia de Oliveira ocorre em meio à acusação de apropriação indébita, extorsão e de acobertar crimes de assédio sexual que supostamente foram cometidos pelo padre Pedro Leandro Ricardo, ex-reitor da Basílica de Americana, que também é alvo das apurações.
No último dia 8, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que a Polícia Civil solicitou pela segunda vez a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito que investiga os eclesiásticos. A pasta, entretanto, não divulgou mais informações, pois o caso corre em segredo de Justiça.
O Ministério Público Estadual (MP-SP) e a Segunda Vara Criminal de Americana irão decidir se cabe ou não prorrogação e por quando tempo.
Denúncias apontam que d. Vilson Dias de Oliveira pediu cerca de R$ 50 mil para uso particular. Padre Pedro Leandro Ricardo, por sua vez, é acusado de ter abusado sexualmente de quatro ex-coroinhas, entre 2002 e 2003, período em que as vítimas ainda eram menores de idade. De acordo com os relatos, o religioso ofertava presentes como contrapartida pelo silêncio dos então adolescentes.
Ao todo, d. Vilson aparece em três inquéritos diferentes: um na Delegacia Seccional de Piracicaba, posteriormente transferido para a unidade policial de Americana e outros dois, nas cidades de Araras e Limeira. A polícia já confirmou, por meio de documentos cedidos pelo próprio d. Vilson, que nos últimos quatro anos o suspeito adquiriu dois imóveis que totalizam mais de R$ 1 milhão, situados no litoral Sul do Estado.
Vilson alegou que o patrimônio foi comprado de forma lícita. Ele nega ter cometido extorsão, mas cita que recebeu doações quando passava por dificuldades financeiras. Agora, d. Vilson fica como bispo emérito pela Diocese de Limeira. Deve morar, temporariamente, em sua cidade natal, Guaíra, e depois definir sua residência. Como bispo emérito, não perde a ordem e pode celebrar missas, crismas, entre outras, caso seja convidado por alguma diocese.

Escrito por:

Francisco Lima Neto

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