Publicado 17/05/2019 - 10h15 - Atualizado 17/05/2019 - 10h15

Por Maria Teresa Costa

A estimativa é que a usina processará 100 toneladas diárias de resíduos de capinagem e podas, entre outros

Cedoc/RAC

A estimativa é que a usina processará 100 toneladas diárias de resíduos de capinagem e podas, entre outros

A Prefeitura espera para a próxima semana a liberação, pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), da licença de operação para colocar em funcionamento a primeira usina de reciclagem de resíduos verdes para produção de adubo que funcionará no Centro Experimental Central do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), na Fazenda Santa Elisa. A previsão, segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, é que a usina comece a receber resíduos de capinagem e podas, restos de frutas, legumes, verduras e lodo de esgoto tratado a partir de julho.
A infraestrutura necessária está pronta, à espera do licenciamento. A estimativa é que a usina processará cerca de 100 toneladas diárias de resíduos de carpinagem e podas, outras 150 toneladas de restos de frutas, legumes e verduras e 80 toneladas de lodo de esgoto tratado, que hoje são levadas para aterro sanitário. Esse material será a base do composto orgânico que será usado como adubo nas áreas verdes da cidade, nas culturas do IAC e o excedente será vendido a produtores agrícolas. De acordo com Paulella, a usina deverá produzir entre 200 e 220 toneladas diárias de adubo.
Cerca de R$ 8 milhões foram investidos na aquisição de equipamentos, pelos parceiros envolvidos, valor que, segundo Paulella se pagará em um ano com a redução do custo de transporte e disposição do material em aterro.
Entre os equipamentos está um desintegrador, adquirido pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). É uma espécie de moinho do tamanho de uma carreta, com capacidade para triturar troncos de árvores com até um metro de diâmetro e transformá-los em serragem. Ele será usado para triturar galhos, resíduos de varrição e rejeitos.
A proposta é que a usina também receba resíduos verdes do setor privado, que pagará por tonelada depositada. “Teremos capacidade de produção muito grande, que irá também atender os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC)”, afirmou.
Os restos de frutas, verduras e legumes virão da Centrais de Abastecimento de Campinas S.A. (Ceasa), empresa municipal que integra a parceria. A empresa também irá se encarregar da venda do adubo a agricultores interessados. O presidente da Ceasa, Wander Villalba, informou que está pronto o sistema de tratamento da caixaria que chega à empresa, no transporte dos produtos. Um triturador foi adquirido para separar os pregos das caixas e transformar a madeira em serragem. Os restos de vegetais irão para a usina. O lodo do esgoto será disponibilizado pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), que também dispõe esse material em aterro.
O convênio com o IAC vai agregar tecnologia, porque a compostagem utilizará o método aeróbico, que exigirá que o material, depois de picado e amontoado em pilhas, seja revolvido constantemente. Segundo Paulella, isso acelera o apodrecimento. No método usado na Prefeitura, a compostagem leva de 150 a 180 dias e no IAC, levará 100 dias para humificar os resíduos, ou seja, transformá-lo em húmus, adubo.
O composto ideal tem que ter três fatores, afirmou. Primeiro, é o material verde, a galharia, que tem lignina, componente estruturante. O segundo é material orgânico, que enriquece o composto e que nesse projeto será o lodo do tratamento de água da Sanasa; terceiro são frutas, legumes e verduras (FLV), que possuem micro-organismos responsáveis por acelerar a decomposição.
Esse material será testado como fertilizante pelo IAC nas pesquisas da Fazenda Santa Elisa e receberá um selo de qualidade da instituição.

Escrito por:

Maria Teresa Costa

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