Publicado 16/05/2019 - 08h56 - Atualizado 16/05/2019 - 08h56

Por Francisco Lima Neto

Jéssica está em tratamento quimioterápico no Mário Gatti desde fevereiro: oitava sessão, que deveria ocorrer na última segunda, foi suspensa

Leandro Ferreira/AAN

Jéssica está em tratamento quimioterápico no Mário Gatti desde fevereiro: oitava sessão, que deveria ocorrer na última segunda, foi suspensa

O Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, voltou a ter falta de medicamentos para quimioterapia. Dessa vez não há bleomicina e vimblastina. Na semana de 25 de abril, a unidade de saúde chegou a ficar sem 15 medicamentos necessários para o tratamento contra o câncer: bleomicina, anagrelida, metotrexato 50mg, ciclofosfamida 50mg, ciclofosfamida 200mg, metotrexato 1000mg, metotrexato 50mg, tamoxifeno 20mg, paclitaxel 150mg, daunorrubicina, docetaxel 20, docetaxel 80, carboplatina 450mg, cisplatina 50, cisplatina 100. À época, a Prefeitura deu prazo de 10 dias para resolver o problema.
A situação tem causado transtorno para alguns pacientes, como é o caso de Jéssica Jardim de Moura, 27, moradora de Sumaré, que está com um linfoma no mediastino, na região torácica.
A paciente está em tratamento quimioterápico desde fevereiro, com sessões a cada 15 dias. Segundo ela, a bleomicina deveria ser usada no tratamento, mas como o remédio está em falta no mercado, outro medicamento foi empregado no lugar.
No entanto, na última segunda-feira, quando deveria receber a 8ª sessão, a quimioterapia foi suspensa pela falta do medicamento vimblastina. "Eles me ligaram informando que não tinha o medicamento, que não tinha previsão de quando teria e que estava suspenso por enquanto. Quando eu perguntei se atrapalharia o tratamento, eles falaram que poderia atrapalhar sim, mas que não teria o que fazer a não ser esperar. Foi essa a resposta", diz a paciente.
Jéssica recebeu o diagnóstico de câncer em novembro de 2018. "A gente já estava investigando desde março. Tava com uma coceira muito grande e tosse. Fui tratada para sarna e até para alergia e nada", explica.
Esses tratamentos iniciais foram feitos em outras unidades de saúde, e não no Mário Gatti. Ela entrou na fila para o tratamento do câncer em novembro, mas só conseguiu a primeira sessão depois de passar mais de 30 dias internada. "Comecei a passar muito mal, tendo falta de ar, tossindo, vomitando. Não dava para ficar em casa. O linfoma tava com 14 centímetros e deslocando o coração para a direita", relata.
Ela foi para o Mário Gatti e ficou internada. "Os médicos me orientaram a permanecer internada para já fazer a primeira sessão de quimioterapia, que foi em fevereiro. Disseram que se eu saísse ia demorar mais ainda para ser chamada", conta.
Ela reclama da suspensão do tratamento e teme pela própria vida. "O sentimento é de impotência, de que não pode fazer nada. É um tratamento sério, em que se corre risco de morte. Câncer não é brincadeira, e não tem o que fazer. Você fica amarrado a eles. Mesmo se procurar outro lugar, a essa altura eles não me pegariam porque já comecei o tratamento lá (no Mário Gatti)", conclui.
Rede dá prazo de 10 dias para compra
A Rede Mário Gatti destaca que os pacientes são acompanhados e avisados com antecedência sempre que houver alguma intercorrência com relação aos tratamentos realizados nas unidades hospitalares. A rede deu prazo de 10 dias para que o medicamento utilizado por Jéssica seja reposto.
"Vale ressaltar que a composição da quimioterapia varia de acordo com o tipo de doença desenvolvida e pelo quadro de cada paciente, por isso, não é possível detalhar para que tipo de câncer o tratamento está suspenso", informou a assessoria de imprensa.
O Correio questionou quantas pessoas estão em tratamento contra câncer atualmente, mas a resposta foi que não é possível dimensionar, uma vez que cada paciente depende de um conjunto de medicamentos, ou seja, cada caso é analisado individualmente.
"Quando possível, há substituição de medicamentos em falta por outros que estão disponíveis no mercado. Além disso, a agenda é dinâmica e a interrupção do tratamento pode se dar não só por falta de insumos, mas por questões clínicas do próprio paciente", ressalta.

Escrito por:

Francisco Lima Neto