Publicado 16/05/2019 - 08h18 - Atualizado 16/05/2019 - 08h21

Por Francisco Lima Neto

Corrêa:

Leandro Ferreira/AAN

Corrêa: "Quem é consciente sabe que mudanças não ocorrem do dia para a noite, nem por decreto"

A atividade econômica brasileira teve queda nos três primeiros meses do ano, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado ontem pelo Banco Central (BC). O indicador funciona como uma “prévia” do PIB oficial calculado pelo IBGE, já que utiliza os mesmos dados e uma metodologia semelhante para ser elaborado.
No primeiro trimestre, a queda foi de 0,68% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na comparação com fevereiro, também houve recuo, de 0,28%. Sobre março de 2018, o tombo foi ainda maior, de 2,52%. Mesmo assim, nos 12 meses terminados em março, ainda há uma expansão de 1,05% no indicador.
Para José Henrique Toledo Corrêa, diretor titular em exercício do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas, os empresários continuam na expectativa da recuperação da economia, mas entendem que isso não ocorre de um momento para o outro.
“Tivemos uma troca de governo, e quem é consciente sabe que mudanças não ocorrem do dia para a noite, por decreto, ou em quatro ou cinco meses”, disse. Mas ele reconhece que quedas na atividade econômica impactam no humor dos empresários.
“De início todos queriam que houvesse um avanço meio que imediato na atividade econômica, e isso gerou um momento de euforia que não se sustentou. Agora temos um momento de retração. Isso é normal”, diz Corrêa.
Segundo o diretor, os empresários mantêm a confiança por conta da possível exportação de produtos agrícolas. “A economia continua girando. Vamos ter um aumento substancial das exportações no setor agrícola por causa da briga dos Estados Unidos com a China. O Brasil será muito beneficiado com isso”, avalia.
E há outros fatores positivos para o setor do agronegócio. Ele lembra que o Canadá foi proibido de exportar carne de porco para a China - e que os chineses enfrentam problemas com a gripe suína. “Isso quer dizer que a cadeia produtiva dos suínos no Brasil vai crescer muito. A região de Campinas tem muitas indústrias que são fornecedoras desse segmento. Acredito que teremos um impacto bastante positivo a médio e curto prazo por aqui”, avalia.
Corrêa diz ainda que outros produtos vão ganhar espaço por conta da disputa entre americanos e chineses, o que vai ajudar a melhorar o PIB brasileiro. “Esse é um fator que impactará positivamente nas próximas pesquisas. Os Estado Unidos deixarão de vender bilhões de dólares em soja para a China - e a China deverá vir comprar do Brasil”, aposta.
Previdência
O diretor do Ciesp ressalta ainda a necessidade da reforma da Previdência como fator essencial para reativar a economia. “A partir do momento em que tivermos a reforma da previdência votada e aprovada, o Brasil voltará a ter investimentos. Não só internacionais, mas do próprio empresário brasileiro, que está capitalizado e buscando oportunidades”, afirma.
Segundo Corrêa, houve uma melhora na confiança dos empresários na última pesquisa feita pelo Ciesp. “A expectativa está começando a melhorar, diferente do mês retrasado, quando estava tudo parado.
Começo a sentir um pouco mais de otimismo. Não posso afirmar nada sobre emprego na região porque somos muito impactados pela crise na Argentina.Mas acredito que pelo menos conseguiremos manter o número de vagas inalterado. E acho que em agosto teremos novidades positivas”, conclui.

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Francisco Lima Neto