Publicado 15/05/2019 - 10h13 - Atualizado 15/05/2019 - 10h13

Por Alenita Ramirez

Trecho da Rua Padre Viera em que um torcedor do Guarani de 26 anos foi baleado: polícia não sabe se a vítima estava com o grupo de torcedores que se enfrentou a poucos metros dali

Matheus Pereira/Especial para AAN

Trecho da Rua Padre Viera em que um torcedor do Guarani de 26 anos foi baleado: polícia não sabe se a vítima estava com o grupo de torcedores que se enfrentou a poucos metros dali

Uma briga entre torcedores do Guarani e da Ponte Preta deixou um baleado e três feridos, anteontem à noite, em Campinas. A Polícia Civil investiga se o confronto foi combinado pelas redes sociais e também se seria um uma retaliação das torcidas rivais, já que no dia 1º deste mês, um torcedor pontepretano ficou ferido após ser perseguido por um grupo de bugrinos.
No caso de ontem, a confusão aconteceu a cerca de 1 quilômetro do Estádio Brinco de Ouro, onde o Bugre venceu o Vitória por 3 a 2 pelo Campeonato Brasileiro da Série B. O confronto aconteceu em dois momentos: em um ponto de ônibus na Rua Uruguaiana e em frente a uma padaria, na Rua Padre Vieira. Há informações de que torcedores das duas equipes vinham trocando provocações em redes sociais há alguns dias e combinaram a briga para a noite de segunda-feira.
Captura de vídeo mostra o confronto em um ponto de ônibus na Rua Uruguaiana, na mesma noite em que o Guarani jogava no Brinco
Segundo informou a Polícia Militar (PM), cerca de 80 torcedores estavam envolvidos no conflito. Um vídeo que circula nas redes sociais, gravado em frente a um ponto de ônibus localizado na Rua Uruguaiana, mostra vários torcedores com barras de ferro e pedaços de madeira se enfrentando, inclusive com chutes. Em dado momento do atrito, um torcedor atira uma pedra contra um rival. A briga teria acontecido durante a partida.
A cerca de 100 metros do ponto, na Rua Padre Vieira, um torcedor bugrino de 26 anos foi baleado. Não se sabe se a vítima estava com o grupo que se enfrentou no ponto de ônibus. Ele foi socorrido e levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Mário Gatti.
De acordo com boletim médico, a estado de saúde do paciente era estável, estava consciente e conversando. O estado de saúde dos demais feridos não foi informado. Ninguém foi preso.
Segundo a PM, muitos dos torcedores estavam encapuzados e usaram também rojões para afugentar os rivais. O caso foi registrado no plantão do 1º Distrito Policial (DP) como tentativa de homicídio, mas é investigado pelo 10º DP, que inclusive já abriu inquérito.
Ontem de manhã, policiais do 10º DP buscaram imagens de circuito de segurança para ajudar nas apurações. “Até agora não apareceram vítimas. Os torcedores não querem vir na delegacia, pois defendem que a briga é entre eles. Se a vítima não conta a versão dela, não há como investigar”, disse o investigador chefe, Marcelo Hayashi.
Em nota, a torcida Fúria Independente informou que lamenta o fato. “O Guarani jogou contra o Vitória partida válida pela série B, torcedores que se deslocavam para partida pela região do Bosque foram surpreendidos por um integrante em posse de arma de fogo em um ato covarde baleou um torcedor expondo mais uma vez a rivalidade de forma negativa, atitude esta totalmente condenável uma vez que foge totalmente a ideologia de uma torcida organizada. Nós da Fúria Independente repudiamos o ato da torcida rival, esperamos das nossas autoridades que essa atitude covarde não fique impune e os culpados por esse ato sejam presos”, frisou.
Polícia investiga suposta retaliação de organizada
A suposta retaliação foi cogitada pela Polícia Civil após a informação do confronto ter sido marcado pelas redes sociais. Coincidentemente, na tarde de anteontem, a torcida Fúria Independente do Guarani comemorou mais um ano de fundação e os bugrinos teriam passado a tarde em um churrasco nas proximidades do estádio. “Vamos apurar se esta briga tem relação com outra briga de torcedores que aconteceu há cerca de 15 dias, em frente ao CT (Centro de Treinamento) do Guarani”, disse Hayashi.
Por volta das 14h30 do dia 1º de maio, feriado, dois torcedores da Ponte Preta foram perseguidos e um deles agredido por um grupo de ao menos cinco bugrinos. Na época, o torcedor pontepretano foi socorrido pelo resgate do Corpo de Bombeiros, mas se recusou a registrar boletim de ocorrência. No entanto, a Polícia Civil tomou conhecimento do caso após um morador registrar queixa de danos em sua casa.
De acordo com relatos deste morador para a polícia, vários torcedores do Guarani invadiram sua casa para agredir um torcedor da Ponte Preta, que havia pulado o muro para se esconder no quintal. O grupo jogou pedras contra o torcedor, que acertaram vidraças e o telhado do imóvel. “Eu almoçava na sala quando ouvi barulhos como que de tiros e corri para me esconder. Foi assustador”, contou a mãe do morador, uma aposentada de 78 anos.
Além do morador, uma motorista de aplicativo também registrou queixa por danos. Ela transportava os pontepretanos quando os bugrinos atacaram o veículo em que estavam.
Segundo o investigador chefe, a motorista relatou informalmente que levava os pontepretanos para a casa deles quando o GPS do veículo indicou um caminho que passava próximo a um bar que os bugrinos estavam. Os passageiros foram reconhecidos e perseguidos. Mas a motorista foi obrigada a parar, a pedido dos clientes, já que o carro foi atacado. Na fuga a pé, os pontepretanos deixaram um celular e aparelhos de som. O passageiro que buscou esconderijo no quintal da casa, segundo os moradores, ficou ferido na cabeça. “Estamos esperando que esta vítima se apresente”, disse Hayashi.

Escrito por:

Alenita Ramirez