Publicado 14/05/2019 - 10h14 - Atualizado 14/05/2019 - 10h14

Por Francisco Lima Neto

A água parada e as poças que ainda se formam com a chuva tardia, como no caso do Jardim Colúmbia, servem de criadouros para o mosquito

Leandro Ferreira/AAN

A água parada e as poças que ainda se formam com a chuva tardia, como no caso do Jardim Colúmbia, servem de criadouros para o mosquito

Após aparente controle, os casos confirmados de dengue em Campinas voltaram a ter crescimento exponencial de uma semana para outra. No Boletim Epidemiológico divulgado no dia 6 de abril, foram contabilizados 8.157 casos, o que representava um aumento de apenas 2,33% em relação as 7.971 confirmações do dia 29 de abril. O novo boletim divulgado ontem traz 11.305 casos de dengue, um aumento de 38,59% ante os números da semana passada.
A expectativa da Prefeitura era de queda do número de ocorrências a partir deste mês. Como as temperaturas continuam elevadas e as pancadas de chuvas ainda ocorrem na região — como o temporal de domingo no Jardim Colúmbia —, a previsão não se confirmou. De janeiro até ontem foram 11.305 casos confirmados de dengue em Campinas. A região mais atingida é a Noroeste, com 3.168 registros, seguida pela Sudoeste, com 2.890; e pela região Sul, com 2.828.
A cidade já tem duas mortes pela doença. A estudante Laura Oliveira Staccialano, 19 anos, no dia 9 de abril, e uma menina de 5 meses, no dia 29 de março. Elas eram moradoras das regiões Norte e Sul de Campinas, respectivamente. As duas pacientes foram atendidas pela rede privada de saúde do município.
A assessoria de comunicação da Prefeitura ressaltou que os novos casos são de cerca de 15 ou 20 dias atrás, já que a confirmação da doença depende de resultado de exames, que levam esse tempo, em média, para ficarem prontos.
"Está tendo bastante caso mesmo, mas não é dessa semana que passou. Por isso, de uma semana para outra pode dar diferença. Primeiro entra no banco de dados como suspeita, depois dos exames complementares é que há a confirmação ou é descartado", explica Andrea Von Zuben, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa).
Ainda segundo ela, os casos de dengue devem continuar aumentando em Campinas. "Em termos de casos novos ainda tem bastante. As confirmações vão aparecer mais para frente. É provável (que haja aumento)", diz.
Nebulização
Outro ponto que deve contribuir para o aumento dos casos da doença no município é a suspensão da nebulização usada para eliminar o mosquito em sua fase adulta. A última nebulização ocorreu na sexta-feira. A ação teve de ser suspensa, pois o Ministério da Saúde não está mais fornecendo o inseticida usado nesse processo. "Segundo o governo federal, há um desabastecimento momentâneo do produto em todo o território nacional", informou a Administração Municipal.
De acordo com Andrea, os municípios são proibidos de comprar o inseticida. "O inseticida tem padrões muito estabelecidos. São critérios técnicos de especialistas. Se cada município comprasse o seu, poderia gerar resistência no mosquito", explica.
Por conta disso, a Prefeitura alerta a população para que colabore eliminando qualquer recipiente capaz de acumular água e servir de criadouro para o mosquito, incluindo garrafas, tampinhas, latas, sucatas e entulhos de construção, além de efetuar a limpeza das calhas de telhados e caixas d’água. O ciclo do mosquito de ovo, larva, pupa e adulto pode se completar em oito dias e, portanto, a retirada de criadouros deve ser regular.
Segundo a Administração Municipal, todos os dias, 804 profissionais atuam nas ações de prevenção de campo. Compondo esse quadro, e para reforçar o trabalho, foi contratada, em julho de 2018, uma empresa, com 120 profissionais, que realiza telagem de caixas d’água e controle de criadouros. Também faz parte do escopo da empresa a realização da nebulização em áreas de transmissão, o que será retomado a partir de do mês de junho conforme previsão de abastecimento do Ministério da Saúde.
Recentemente, foi feita uma reorganização dos centros de saúde priorizando o atendimento aos casos de dengue. Além disso, foi criado um serviço de referência para atendimento aos pacientes com dengue, no Centro de Saúde São Bernardo. Desde 1º de abril, 350 pacientes foram atendidos no local. Pacientes de maior risco são atendidos nos hospitais e prontos-socorros.
Valinhos registrará como confirmado todo caso suspeito
O Grupo Técnico de Vigilância Epidemiológica de Campinas, do governo do Estado de São Paulo, comunicou na quinta-feira que vai suspender o envio dos exames de casos suspeitos de dengue da Rede Municipal de Saúde de Valinhos para análises de sorologia no Instituto Adolfo Lutz. Com a suspensão dos exames, a cidade vai registrar como confirmados todos os casos suspeitos de dengue, já que deixará de ser feita a confirmação laboratorial.
A suspensão ocorreu após a avaliação dos critérios epidemiológicos descritos nas Diretrizes de Prevenção e Controle das Arboviroses Urbanas no Estado de São Paulo. Um dos critérios adotados pelo Estado é que a sorologia pode ser suspensa quando os casos notificados ultrapassarem 150 para cada 100 mil habitantes. No último relatório divulgado pela Vigilância Epidemiológica, a cidade registrou 221 notificações.
Segundo o comunicado, só serão aceitas pelo Instituto Adolfo Lutz, amostras para sorologia de pacientes graves e óbitos suspeitos da doença. A partir da suspensão, as confirmações serão feitas somente pela análise clínica e epidemiológica.
"Como os casos não passarão por um exame sorológico, é bem provável que o número cresça, já que as análises serão baseadas apenas nos sintomas apresentados pelos pacientes e pelo local provável de infecção", disse a diretora de Divisão de Vigilância Epidemiológica, Claudia Maria dos Santos.
De acordo com Claudia, a rede particular, como a Santa Casa de Valinhos e o Hospital Galileo, continuam fazendo o teste sorológico de dengue para os pacientes que possuem convênio médico.
Registros
Apesar das 221 notificações, Valinhos tem 37 casos confirmados de dengue, segundo relatório divulgado ontem pela Vigilância Epidemiológica Municipal. Dos 37 casos positivos, 26 são autóctones, contraídos no próprio município, e 11 importados, de moradores que foram contaminados em outras cidades.
Segundo o balanço da Vigilância, 40 casos investigados deram negativo e 120 aguardam resultado.
AUMENTO PERCENTUAL
Semana           Nº de Casos         Percentual
01 de abril             799                        —
08 de abril            2.048                  156,32%
15 de abril            3.578                    74,70%
22 de abril            5.493                    53,52%
29 de abril            7.971                    45,11%
06 de maio           8.157                      2,33%
13 de maio          11.305                    38,59%

Escrito por:

Francisco Lima Neto