Publicado 14/05/2019 - 08h58 - Atualizado 14/05/2019 - 08h59

Por Henrique Hein

Taxistas criticam rigor da Emdec

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Taxistas criticam rigor da Emdec

Taxistas acusam a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) de praticar retaliação contra eles. Os funcionários alegam que começaram a ser multados de forma muito mais rigorosa pelos agentes de mobilidade urbana (amarelinhos), depois que a categoria entrou com uma ação civil pública contra o Município no final do ano passado. A ação movida questionava a falta de um estudo do poder público sobre emissão de gases.
Os taxistas alegam que as penalidades estão sendo aplicadas de forma proposital — como se fossem uma espécie de “vingança” em razão do processo que foi aberto na Justiça. “Eles estão procurando pelo em ovo para multar a gente. Querem achar picuinhas para nos prejudicar. Isso se chama perseguição”, afirmou Inácio Rodrigues, presidente do Sindicato dos Taxistas Permissionários Autônomos do Município de Campinas (Sinditáxi).
De acordo com ele, são inúmeros os casos de multas sem sentido que foram aplicadas ou que poderiam ter tido uma maior compreensão dos agentes de trânsito. Entre os exemplos, Inácio cita as vistorias “mal intencionadas” que, supostamente, estariam sendo praticadas pelos amarelinhos. “É comum eles multarem os motoristas sob alegação de que os pneus estão carecas, sendo que, na verdade, os pneus nem sequer ultrapassaram as demarcações de segurança”, disse Rodrigues.
O taxista Odiomar Falango, classificou as atuações feitas pela autarquia como “vergonhosas”. Ele conta que foi multado recentemente porque estava usando uma camiseta azul enquanto trabalhava. “Quem não é filiado a uma cooperativa ou sindicato é obrigado a trabalhar de calça social preta e de camisa social branca. Só quem é filiado pode criar o seu próprio uniforme desde que ele seja inteiro social (…) Eu sou filiado, mas, mesmo assim, fui multado”, comentou.
Falango disse ainda que é comum os taxistas receberem punições por estarem usando calça de sarja preta. “Muita gente não tem calça social suficiente para usar todos os dias. É comum a gente colocar uma calça de sarja preta para quebrar um galho, mas não adianta. Os agentes metem a caneta sem dó”, comentou. “Eu acho isso um exemplo de rigor extremo”, complementou.
Eduardo de Jesus é outro taxista que reclamou das multas aplicadas no município. Ele conta que os motoristas estão sendo multados mesmo quando estão parados nos seus próprios pontos. “A gente não pode estacionar o carro no nosso próprio ponto, porque podemos ser multados por uma viatura da Emdec. Um amigo meu parou o carro dele por uns 15 minutos para poder ir almoçar e foi multado”, comentou.
Procurada pela reportagem, a Emdec informou que não é possível se pronunciar sobre o assunto sem que haja uma apresentação de cada multa mencionada e que não foi fornecida pelos taxistas.

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Henrique Hein