Publicado 12/05/2019 - 14h59 - Atualizado 12/05/2019 - 14h59

Por Maria Teresa Costa

O bairro Mansões Santo Antônio comporta a área contaminada pela Proquima, empresa do ramo químico de recuperação de solventes

Cedoc/RAC

O bairro Mansões Santo Antônio comporta a área contaminada pela Proquima, empresa do ramo químico de recuperação de solventes

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem 473 áreas contaminadas, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Em cinco anos, o número de áreas cadastradas no Sistema Ambiental Paulista cresceu 30,3%. Campinas, com 168 áreas, lidera o ranking regional, seguida de Paulínia com 74 e Americana, com 33. Morungaba é a única da RMC sem registros.
Na RMC estão duas das doze áreas do Estado consideradas críticas pela Cetesb: o Aterro Mantovani, em Santo Antônio de Posse, e Mansões Santo Antônio, em Campinas. A região responde por 7,5% das 6.110 áreas do Estado. Na região, assim como no Estado, os postos de combustíveis respondem pela maior parcela da contaminação do solo. Eles contaminam solo, subsolo e águas subterrâneas com combustíveis líquidos, solventes aromáticos, metais e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), como são chamados os contaminantes tóxicos gerados por derramamento de petróleo e que têm potencial cancerígeno.
Segundo o Sistema Ambiental Paulista, a predominância de áreas relacionadas a postos de combustíveis deve-se, em grande parte, à resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente, de 2000, que estabeleceu a obrigatoriedade de licenciamento para essa atividade, o que permitiu, a partir da avaliação ambiental, identificar as áreas com problemas de vazamento de combustíveis e desencadeou uma série de procedimentos para sua adequação.
Em Campinas há 107 registros de contaminação provocada pela atividade. No Estado, são 4.384 registros (72% do total), seguidos das atividades industriais com 1.158 (19%), das atividades comerciais com 317 (5%), das instalações para destinação de resíduos com 197 (3%) e dos casos de acidentes, agricultura e fonte de contaminação de origem desconhecida com 54 (1%).
Na RMC há 110 áreas contaminadas sob investigação, que foram constatadas por meio de investigação confirmatória de concentrações de contaminantes que colocam ou podem colocar em risco os bens a proteger. A maioria delas está em Campinas, com 33 registros. Em outras 79 áreas foram confirmadas a existência de risco à saúde ou à vida humana, ecológico, ou onde foram ultrapassados os padrões legais aplicáveis.
Campinas (21) e Paulínia (14) têm o maior vou de registros. Além disso, há 98 áreas em processo de remediação, onde estão sendo aplicadas medidas visando à eliminação da massa de contaminantes ou, na impossibilidade técnica ou econômica, sua redução ou a execução de medidas contenção ou isolamento.
Do total, 110 foram reabilitadas para o uso declarado, o que significa que, depois de submetidas às medidas de intervenção, ainda que não tenha sido totalmente eliminada a massa de contaminação, tem restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, ao meio ambiente e a outros bens a proteger.
Prefeitura contratará plano de recuperação do bairro
A Prefeitura vai contratar, nas próximas semanas, o plano de recuperação do bairro Mansões Santo Antônio, área contaminada pela Proquima, empresa do ramo químico de recuperação de solventes. O estudo, informou o secretário do Verde, Rogério Menezes, vai apontar como fazer e quanto vai custar a remediação daquela área, que foi contaminada de 1973 a 1996.
A estimativa é que serão necessários entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões para a descontaminação do local, considerado o maior passivo ambiental da cidade. É o plano, no entanto, que apontará quanto custará a recuperação. Segundo o secretário, todos os custos com os planos, estudos e intervenções realizadas até agora serão cobrados da empresa Concima, herdeira do passivo ambiental.
A Prefeitura já gastou R$ 370 mil com o Estudo Técnico Preliminar. Na extração de gases já foram investidos R$ 690 mil no primeiro período, serão mais R$ 800 mil no segundo período, outros R$ 800 em 2017 e mais R$ 800 mil no ano passado.
Desde 2014, um sistema de extração de vapores de compostos orgânicos voláteis, no contrapiso do Bloco A, está em operação, para diminuir o risco à saúde das 45 famílias que vivem no local. Os gases extraídos por drenos são levados a uma estação de tratamento no próprio local, para que os vapores possam ser liberados na natureza sem riscos de contaminação ambiental.
A maior contaminação foi identificada nos lençóis freáticos, por isso a preocupação com o uso de águas. Os estudos mostraram que a área tem “alto grau de contaminação” e cerca de 30 substâncias químicas foram encontradas na região.
A outra área crítica na RMC é o aterro Mantovani, em Santo Antonio de Posse, que recebeu mais de 300 toneladas de resíduos industriais sem a devida impermeabilização, entre 1974 e 1987, o que contaminou o solo e as águas subterrâneas. Essa área, segundo a Cetesb, está em processo de remediação.
SAIBA MAIS
ÁREAS CONTAMINADAS NA RMC
Município                         Total
Americana                          33
Artur Nogueira                     6
Campinas                          168
Cosmópolis                         10
Engenheiro Coelho               1
Holambra                            4
Hortolândia                         19
Indaiatuba                          22
Itatiba                                27
Jaguariúna                          4
Monte Mor                           2
Morungaba                          0
Nova Odessa                       8
Paulínia                              74
Pedreira                             11
Santa Bárbara d´Oeste        17
Santo Antônio de Posse        5
Sumaré                              30
Valinhos                             21
Vinhedo                             11
Total                                 473

Escrito por:

Maria Teresa Costa