Publicado 12/05/2019 - 14h36 - Atualizado 12/05/2019 - 14h36

Por Rogério Verzignasse

A Apacc acolhe pacientes com câncer ? e seus acompanhantes ?, que fazem tratamento em Campinas

Leandro Ferreira/AAN

A Apacc acolhe pacientes com câncer ? e seus acompanhantes ?, que fazem tratamento em Campinas

A ação social começou há 26 anos, e nunca mais parou. As crianças — hoje são mais de 60 — chegam de fora com os acompanhantes, geralmente os próprios pais. Pequenos pacientes que se tratam do câncer. E lá eles são acolhidos, ganham tratamento digno. Convivem em um espaço onde se compartilham alegrias e dores. Há dias em que se festejam curas. Em outros, se choram mortes. Histórias de vida são escritas por lá, todos os dias.
O espaço no Bosque das Palmeiras tem 1,8 mil metros de construção, 28 quartos e várias dependências
Aquelas famílias invariavelmente têm vida humilde, não podem pagar hospedagem em hotéis. E a Associação de Pais e Amigos da Criança com Câncer (Apacc) foi criada exatamente para socorrê-las.
A “Casa Ronald”, como é conhecida — referência ao personagem infantil da rede McDonald’s — funciona no Bosque das Palmeiras, em Campinas. São 1,8 mil metros de construção: 28 quartos, brinquedoteca, sala de TV, cinema, refeitório, lavandeira, sala de jogos... Há até salão de beleza. É um espaço que emprega 12 funcionários, e custa algo em torno de R$ 110 mil mensais.
Além dos salários, o orçamento cobre as contas básicas (água, luz, transportes). Metade dos recursos chega de uma instituição que é o braço assistencial da rede de fast food. O resto vem de eventos, bazares, doações individuais, recursos fiscais. Chegam doações em dinheiro, produtos de limpeza, alimentos, brinquedos...
E o mais interessante é que, neste tempo todo, o espaço se manteve e conseguiu contornar as crises financeiras. A direção incentiva e capta voluntários, em especial nos cargos de direção ou conselhos. “É possível, dentro dos mandatos, encontrar novos líderes que consigam dar continuidade ao trabalho”, afirma o presidente Fernando Figueiredo, advogado de 41 anos. “A sucessão acaba sendo parte integral da gestão”.
“Lar longe do lar”
Fernando Figueiredo, advogado de 41 anos, está perto de deixar a presidência da Apacc, cargo que ocupa voluntariamente há quatro anos
A proposta principal na criação da Apacc foi a instituição de um “lar longe do lar”. Além da hospedagem, o espaço oferece cinco refeições diárias, transporte aos hospitais da cidade e atividades de lazer.
Figueiredo, o atual presidente, exerce o cargo voluntariamente há quatro anos. Ele passará o “bastão” no próximo dia 16 ao empresário Carlos Gomes, que também é voluntário da instituição há muitos anos.
“Há pessoas que colaboram porque enfrentaram o câncer dentro de casa. Outras o fazem por puro amor ao próximo”, afirma o presidente, às vésperas de deixar o cargo. “Quem chega, uma administração após a outra, segue comprometido com o causa”.
Iniciativa ganhou corpo com o tempo
A sala de jogos é uma das muitas opções de lazer para as crianças
A história da Apacc começou em 1992, quando um grupo de mães com casos de câncer na família decidiu fundar uma associação que oferecesse apoio a outras famílias em situação similar. A primeira presidente foi Rita Corazza.
Em 2002, com concessão do terreno pela Prefeitura, a entidade iniciou a obra da nova sede, que acabou inaugurada em 2005. Com atendimento de excelência, veio a primeira expansão, em 2008. Já em 2010 foi firmada a parceria com a Ronald McDonald House Charities (RMHC), braço assistencial da rede de fast food, que já mantinha outras casas do gênero em 43 países. O acordo permitiu novas expansões.
SAIBA MAIS
A primeira unidade da Apacc em Campinas tinha apenas quatro quartos, e funcionava em um imóvel do Bairro Paineiras desde o ano de 2005. O serviço, famoso por atender crianças do Centro Infantil Boldrini, expandiu sua atuação para pacientes de outros hospitais públicos, encaminhados pelos serviços de assistência social.

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Rogério Verzignasse