Publicado 12/05/2019 - 14h15 - Atualizado 12/05/2019 - 14h15

Por Francisco Lima Neto

Vista geral de Campinas: crise econômica, taxas e impostos altos resultam em mais unidades habitacionais à venda - e os preços não têm como subir

Leandro Ferreira/AAN

Vista geral de Campinas: crise econômica, taxas e impostos altos resultam em mais unidades habitacionais à venda - e os preços não têm como subir

O preço do metro quadrado de um imóvel residencial usado em Campinas está praticamente congelado. Em abril, o valor estava em R$ 5.394, de acordo com o índice FipeZap, calculado mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados coletados de 50 capitais e maiores cidades do País. O valor é apenas o 18º da lista e fica bem abaixo da média nacional, que foi de R$ 7.187 no mês passado, considerando casas e apartamentos.
O estudo apurou que, em abril, os preços dos imóveis residenciais anunciados para venda em Campinas tiveram uma ligeira alta de 0,09%. Com isso, o valor do metro quadrado residencial acumula uma acumulada de 0,63% nos quatro primeiros meses de 2019 - mas, nos últimos 12 meses, o preço está estável, sem nenhuma variação.
Para o Vice-Presidente do Setor de Comercialização da Associação Regional da Construção de Campinas e Região (Habicamp), Douglas Vargas, essa estabilidade no mercado de imóveis usados reflete bem o momento do mercado imobiliário de Campinas e Região.
“Houve um aumento das vendas ao longo dos últimos quatro meses. Mas acontece que o mercado regional passa por uma readequação de preços, e isso impede um aumento dos preços por parte de quem deseja vender uma casa ou apartamento”, explicou.
Ele apontou que a crise na economia também afeta o valor dos imóveis - e a lei de mercado também dita que quanto mais imóveis disponíveis, menor o preço. “Quem está precisando vender vai ter que criar atrativos tanto no preço quanto numa reforma. É preciso atrair o cliente na negociação”.
Efeito aluguel
Outro fator que vem segurando os preços de venda são os aluguéis, que estão bem alsalgados na cidade. Sem conseguir um locatário, muitos donos de imóveis optam por vendê-los.
De acordo com Vargas, o valor da locação é composto por três itens: o aluguel em si, o IPTU e o condomínio. “Acontece que em Campinas, o condomínio está muito alto. A água, a energia e os salários dos funcionários do prédio pressionam o valor. Quanto ao IPTU, temos o problema de um aumento muito forte - foram 30% no ano passado, 10% nesse ano e mais 10% já anunciados para o ano que vem, e isso em valores reais, descontada a inflação”, lembrou.
O resultado, explicou, é que há menos clientes dispostos ou com condição de arcar com o valor da locação (até porque o desemprego é alto e a renda baixa). “Com isso, se o imóvel fica vazio, o dono terá que arcar com os gastos de condomínio e IPTU. E muitos preferem disponibilizar para venda. Assim, além da oferta de venda normal de pessoas que, por exemplo, saíam de um apartamento de dois quartos para ir para um de três, agora temos também esses imóveis que eram para locação. Ainda temos um bom nível de venda bom,mas os valores estão praticamente estabilizados”, completou.
VALOR DO METRO QUADRADO*
Dezembro/2018
R$ 5.564
Janeiro/2019
R$ 5.350
Fevereiro/2019
R$ 5.373
Março/2019
R$ 5.389
Abril/2019
R$ 5.394
*Em Campinas, para imóveis usados

Escrito por:

Francisco Lima Neto