Publicado 10/05/2019 - 11h24 - Atualizado 10/05/2019 - 11h25

Por Maria Teresa Costa

As emissões de gases do efeito estufa pela Replan em Paulínia representaram em 2016, ano base do estudo, 20% do total do processo industrial da Petrobras de todo o Brasil

Cedoc/RAC

As emissões de gases do efeito estufa pela Replan em Paulínia representaram em 2016, ano base do estudo, 20% do total do processo industrial da Petrobras de todo o Brasil

Paulínia é a maior emissora na Região Metropolitana de Campinas (RMC) de gases de efeito estufa (GEE), responsáveis pelo aquecimento global, segundo o inventário que será lançado hoje pelo prefeito Jonas Donizette (PSB). As atividades do seu polo industrial, especialmente a Replan, são responsáveis pela emissão de 3,98 milhões de toneladas de GEEs, que correspondem a 38,4% do volume liberado pelo conjunto das 20 cidades, dentro de seus territórios.
As emissões da Replan, segundo o inventário, representaram em 2016, ano base da pesquisa, 20% do total das emissões de processo industrial da Petrobras inteira. A Replan responde por 20% do refino de petróleo no Brasil.
O primeiro inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE) da RMC aponta que a região é responsável por 11,2 milhões de toneladas, das quais 85% são emitidas pelos setores de energia estacionária e transportes. Com o lançamento do documento, a região assumirá o compromisso de reduzir as emissões de GEE em 31,8% e em 30,3% os poluentes atmosféricos, gradualmente, até 2060.
A próxima etapa será o detalhamento do plano e a elaboração de minutas dos projetos de lei para as ações que serão desencadeadas na região.
Campinas prevê enviar o projeto à Câmara até novembro, informou o secretário do Verde, Rogério Menezes. Será um conjunto de medidas a serem adotadas pela RMC para cumprir o compromisso de reduzir em 4% as emissões em 2020, em 7,9% em 2030, 15,9% em 2040 e 31,8% em 2060. As metas são ousadas, mas atingíveis, disse Menezes.
O inventário detectou que 4,79 milhões de toneladas de gases da RMC vêm do setor de energia estacionária, o maior emissor. As emissões desse setor são provenientes da queima de combustíveis utilizados, em geral, para produção de vapor ou energia elétrica. Na versão preliminar, o transporte aparecia em primeiro lugar, mas após consulta pública, as emissões da Replan, que contavam como produto do setor industrial, foram realocadas para o setor de energia estacionária.
O transporte, segundo maior emissor, é responsável por 4,67 milhões de toneladas, a maioria por carros, caminhões, ônibus, motos. Outras 850 mil toneladas são emitidas por aviões: 89% pelas aeronaves que pousam e decolam do Aeroporto Internacional de Viracopos, outros 10% vem de Paulínia, especialmente helicópteros, enquanto o movimento aéreo de Americana, Monte Mor e Vinhedo corresponde a 1%.
Os resíduos respondem por 1,06 milhão de toneladas, os processos industriais pro 300 300 mil toneladas, a agricultura por 359 mil toneladas.
O plano de ação, de 202 páginas, propõe para o setor de transporte que toda a frota municipal seja movida a biodiesel, estímulo à circulação de veículos elétricos, ampliação dos corredores de ônibus e faixas exclusivas, requalificação da malha ferroviária para adequação ao transporte de passageiros, criação de um centro de abastecimento de cargas para o aeroporto Viracopos.
Para reduzir as emissões geradas por resíduos, o plano sugere ampliação da coleta seletiva, aterros sanitários apenas para rejeitos, aproveitamento energético do metano em aterros sanitários, uso de novas tecnologias, entre outras medidas. No setor de energia, propõe a ampliação dos sistemas de energia fotovoltaica, e uso energias renováveis, campanhas de conscientização, reduzindo o consumo de energia e o desperdício energético em edifícios residenciais, comerciais e de serviços públicos, adoção de medidas para melhorias na eficiência e na resiliência do parque de iluminação pública com a substituição por luminárias mais eficientes.
Além de medidas de redução dos gases, o plano traz propostas para mitigar as emissões, como incentivo ao estabelecimento de diretrizes metropolitanas para plantio arbóreo e manutenção dos fragmentos vegetais em meio urbano; criação de novas áreas verdes, como praças e parques, bem como manter e qualificar as áreas já existentes; conter a expansão das manchas urbanas municipais; Reurbanizar as áreas com ocupações informais, prevendo a oferta de moradia de interesse social e estimulando a criação de zonas de interesse social em meio ao tecido urbano provido de boas condições de infraestrutura, entre outras.
SAIBA MAIS
O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa foi feito pela WayCarbon Soluções Ambientais, que venceu a licitação por R$ 420 mil, paga com recursos do Fundo de Recuperação, Manutenção e Preservação do Meio Ambiente (Proamb). As emissões são medidas em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), resultado das toneladas emitidas do GEE pelo seu potencial de aquecimento global.

Escrito por:

Maria Teresa Costa