Publicado 10/05/2019 - 09h56 - Atualizado 10/05/2019 - 09h57

Por Da Agência Anhanguera

Campus da Unicamp, universidade que é considerada referência na pesquisa e na produção de conhecimento no Brasil:

Cedoc/RAC

Campus da Unicamp, universidade que é considerada referência na pesquisa e na produção de conhecimento no Brasil: "insensatez da medida"

A Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reagiu ontem à decisão da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de suspender a concessão de bolsas de mestrado e doutorado. O “congelamento” dos recursos é decorrente de ato do governo Bolsonaro relacionado às verbas do Ministério da Educação.
O tema tem gerado apreensão nos meios universitário e científico brasileiros, que temem prejuízos em pesquisa e na formação de estudantes de mestrado e doutorado. O valor mensal por aluno é de R$ 1,5 mil no mestrado e de R$ 2,2 mil no doutorado. O total de b olsas, as áreas de pesquisas e o valor bloqueado não foram divulgados pela Capes.
Em nota distribuída ontem à imprensa, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unicamp informa à comunidade acadêmica que recebeu um ofício que indicava “o bloqueio de dotações orçamentárias imposto pelo Ministério da Economia ao Ministério da Educação, que resultou em um contingenciamento orçamentário”.
Ainda de acordo com a nota, o aviso estabelecia a necessidade de “recolher as bolsas e taxas escolares não utilizadas no último mês de abril concedidas no âmbito de programas de fomento da Capes”.
A Pró-Reitoria ressalta no texto que “as universidades foram pegas de surpresa com o recolhimento de bolsas não utilizadas. Isso porque, nenhum comunicado prévio foi feito às instituições. Percebeu-se que o sistema para o cancelamento e atribuição de bolsista estava fechado justamente no período do mês que deveria estar aberto para tais remanejamentos. Foram recolhidas bolsas que estavam livres há apenas 15 dias, muitas vezes aguardando justamente a abertura mensal do sistema da Capes para a indicação do bolsista”.
Levantamento preliminar
Num primeiro levantamento, observa a Pró-Reitoria, aproximadamente 55 bolsas de mestrado e doutorado foram afetadas. “Já há inúmeros relatos que dão conta da insensatez da medida, dado que em muitos casos estava-se justamente buscando atribuir a bolsa ao aluno e o sistema não permitia”, critica o texto.
A nota distribuída pela Pró-Reitoria considera também que “vale ressaltar o descontentamento e a preocupação sobre a intempestividade da medida que altera o planejamento das atividades dos programas e uma perspectiva mais segura de quantos estudantes podem vir a participar de seus cursos de mestrado e/ou doutorado os quais dependem do número de bolsas disponíveis”.
De acordo com a nota, “o uso dessas bolsas vai além da própria formação acadêmica (stricto sensu) de quadros de mestre e doutores, mas assegura a realização de grande parte da atividade pesquisa nas universidades, especialmente numa universidade como a Unicamp, na qual a investigação sempre foi atividade de grande relevância.”
E finaliza com a seguinte mensagem: “Note que o impacto da pós-graduação se dá não somente pelos indicadores positivos em termos de produção científica, mas também na geração de políticas públicas, desenvolvimento de novos produtos e tecnologias que melhoram a qualidade de vida e geram emprego e renda para o País.”
Depoimento
Sob condição de anonimato, um professor candidato a uma das bolsas atingidas pelo corte afirmou ao Correio que está bastante preocupado com a situação e que, de certa forma, também pessimista com os rumos da própria educação no Brasil.
“Depois de tantas conquistas de governos anteriores no campo da educação, agora o nosso país está condenado ao colapso educacional”.
Segundo ele, a decisão da Capes trava seu projeto de doutorado. O docente diz que é “doído” acompanhar esse processo que visa, no seu entendimento, enfraquecer o espírito crítico da opinião pública.

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