Publicado 07/05/2019 - 09h49 - Atualizado 07/05/2019 - 09h49

Por Francisco Lima Neto

A estudante de pedagogia Laura Oliveira Straccialano faleceu no dia em que completou 19 anos, em 9 de abril passado, vítima de dengue

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A estudante de pedagogia Laura Oliveira Straccialano faleceu no dia em que completou 19 anos, em 9 de abril passado, vítima de dengue

A Prefeitura de Campinas confirmou ontem que a morte da estudante Laura Oliveira Straccialano, no dia 9 de abril, foi causada por dengue. Ela cursava o segundo ano de pedagogia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC) e morreu justamente no dia em que completou 19 anos. A jovem estava internada no Hospital Vera Cruz, em Campinas. Ontem, a cidade atingiu 8.157 casos confirmados da doença, o que representa crescimento de apenas 2,33% frente os 7.971 casos divulgados na semana passada. Desde que o ano começou a ser tratado como epidêmico, esse é o menor aumento percentual.
A Prefeitura confirmou ontem que recebeu o laudo do Instituto Adolf Lutz atestando a morte pela doença. No dia 16 de abril, a Secretaria de Saúde de Campinas confirmou a primeira morte por dengue do município em 2019. A vítima foi uma menina de cinco meses, moradora da região Sul e que morreu no dia 29 de março, em um hospital da rede privada. Essa foi a primeira morte pela doença na cidade desde 2015.
Desde o final do mês de março, a Administração Pública vem atualizando os casos de dengue todas as segundas-feiras. De acordo com o boletim epidemiológico da dengue divulgado ontem, a cidade alcançou 8.157 casos confirmados da doença, entre janeiro e 4 de maio.
A região mais afetada é a Noroeste, onde fica o distrito do Campo Grande, com 2.385 registros. Segundo a Prefeitura, a situação atual com relação à doença ainda é preocupante e epidêmica.
A grande maioria dos casos registrados no ano é do vírus tipo 2 (DEN-2), o que preocupa ainda mais as autoridades, pois quando uma pessoa pega um tipo de dengue, ela fica imune a ele automaticamente. O problema, contudo, é que o tipo 2 não circulava na cidade há muito tempo, o que faz com que praticamente 100% dos campineiros fiquem suscetíveis a serem contaminados. A doença possui quatro variações: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.
A cidade de Campinas está entre os 10 municípios com mais casos de dengue em todo o Estado de São Paulo — que já concentra mais de 85 mil diagnósticos confirmados de janeiro até o último dia 15. Bauru, Araraquara, São José do Rio Preto, Andradina, Barretos, Campinas, São Joaquim da Barra, São Paulo, Fernandópolis e Birigui respondem por 52,9% de todos os casos do Estado.
O número de casos confirmados de dengue em Campinas até o último dia 22, já superou as projeções da Secretaria Municipal de Saúde para todo o ano de 2019. No fim de março, em coletiva de imprensa, o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, havia dito que a estimativa era de 3 a 5 mil pessoas infectadas pela dengue ao longo de 2019. Porém, desde então a epidemia da doença disparou no município.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andrea Von Zuben, admite que a força da transmissão do vírus foi maior que a projetada inicialmente, e afirma que novas estimativas não serão divulgadas.
“Houve uma primeira projeção, no começo da epidemia, mas logo vimos que a força da transmissão estava maior. Teve semana que até dobrou o número de casos. É difícil fazermos novas projeções neste cenário. Historicamente, abril costuma ser o mês com maior número de casos. Em maio começa a diminuir e nos meses seguintes se estabiliza”, explica.
Ações
Em nota, a Vigilância Epidemiológica informou ontem que intensificou as ações de prevenção na cidade, com o objetivo de evitar que a dengue continue se espalhando. Entre as medidas adotadas, estão atividades como o controle de criadouros, a nebulização, o bloqueio a cada ocorrência e as atividades de mobilização social, com o intuito de conscientizar a população sobre a importância de eliminar os criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença.
Segundo a Secretaria, mais de 410 mil imóveis foram visitados pelas equipes que atuam no controle da dengue entre julho de 2018 e abril de 2019. No mesmo período, cerca de 62 mil imóveis foram nebulizados com inseticida e mais de 40 mil criadouros foram removidos. “Campinas terá um período mais curto de pico epidêmico durante a sazonalidade, que vai até maio. Diariamente há 804 profissionais do quadro próprio da Prefeitura nas ações de prevenção de campo”, informou a pasta.
COMO PREVENIR A DOENÇA
Mantenha caixas d'água, tonéis, barris e outros reservatórios de água fechados
Lave os reservatórios de água semanalmente
Limpe as calhas, piscinas e aquários
Evite o acúmulo de água
Coloque tela nas janelas
Coloque areia nos vasos de plantas
Seja consciente com seu lixo
Coloque desinfetante nos ralos
AUMENTO PERCENTUAL
Semana            Nº de Casos         Percentual
01 de abril              799                         -
08 de abril             2.048                  156,32%
15 de abril             3.578                    74,70%
22 de abril             5.493                    53,52%
29 de abril             7.971                    45,11%
06 de maio            8.157                      2,33%

Escrito por:

Francisco Lima Neto