Publicado 07/05/2019 - 09h11 - Atualizado 07/05/2019 - 09h11

Por Henrique Hein

O aumento dos casos de doenças respiratórias no Mário Gatti não é comum nesta época do ano: surpresa

Denny Cesare/AAN

O aumento dos casos de doenças respiratórias no Mário Gatti não é comum nesta época do ano: surpresa

A Prefeitura de Campinas suspendeu ontem as cirurgias eletivas do Hospital Municipal Doutor Mário Gatti com o objetivo de reforçar o atendimento aos bebês e às crianças que estão internadas. Entre a noite da última sexta-feira e a manhã de ontem, ao menos oito bebês — entre eles uma recém-nascida de 12 dias — precisaram aguardar pela abertura de vagas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
Por causa da superlotação do espaço, as crianças acabaram sendo entubadas em uma sala improvisada do Pronto-Socorro (PS) infantil, onde no domingo, um bebê de seis meses acabou morrendo por complicações respiratórias graves. Ele era uma das crianças que não conseguiram um leito para internação na UTI.
O secretário da Saúde de Campinas, Carmino de Souza, explicou que a grande maioria dos pacientes infantis chegou ao complexo apresentando problemas de doença respiratória aguda e que a enfermidade triplicou na cidade em menos de duas semanas. "O número de crianças, bebês e recém-nascidos com necessidade de internação passou de 19 para 55. É algo que nos surpreendeu, porque não estamos no período de sazonalidade da doença. Não sabemos dizer ainda o que é que está causando essa grande demanda", afirmou.
O secretário reforçou o pedido para que pais e mães tomem alguns cuidados para evitar que seus filhos adquiriram doenças respiratórias. Entre as ações, o secretário aponta que os pais precisam lavar as mãos com frequência, manter a casa sempre aberta e arejada e, principalmente, não levar recém-nascidos a ambientes fechados, como shoppings, já que nesta idade, ainda não possuem um sistema imunológico bem desenvolvido.
Apesar do cenário de crise na saúde, o secretário defendeu que a cidade está preparada para atender a população da melhor forma possível. Segundo ele, o número de leitos na UTI passou de 10 para 20 no Mário Gatti e a quantidade de vagas no Hospital Ouro Verde cresceu de 10 para 15.
Na última sexta-feira, o Governo Municipal apelou à Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) de São Paulo, pedindo para que pacientes de outras cidades não fossem mais enviados para Campinas. De acordo com a pasta, a medida foi reavaliada e seguirá valendo até que a situação de superlotação em hospitais se acalme de vez. Ao todo, 30% da demanda que os hospitais públicos municipais recebem vêm de cidades, dentro e fora da região.
Hospital da PUC
O Hospital PUC-Campinas retomou ontem o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) nos prontos-socorros infantil e adulto. Os dois atendimentos foram suspensos na tarde última sexta-feira, numa tentativa de conter a superlotação que existia nos espaços. Ao todo, o complexo particular oferece 20 leitos para o SUS no PS Adulto e outros seis leitos para pacientes do PS Infantil. No dia da suspensão, ambos os setores estavam superlotados: havia 65 pessoas internadas no PS adulto e outras sete no PS Infantil.
Na ocasião, o Correio Popular teve acesso ao PS. Dezenas de pessoas estavam sendo atendidas em macas improvisadas no meio dos corredores do hospital. No último dia 26 de abril, a unidade já havia anunciado que a superlotação dos prontos-socorros tinha provocado a suspensão de cirurgias eletivas.
Em nota, o Hospital PUC-Campinas informou ontem que trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas na transferência e remanejamento interno dos pacientes desde que os atendimentos foram suspensos. "Lembramos que os prontos-socorros Adulto e Infantil do SUS do Hospital PUC-Campinas são referenciados, devendo receber somente pacientes regulados pela CROSS, CSRA e SAMU, portanto, não sendo referência para demanda espontânea", informou, em nota.

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Henrique Hein