Publicado 02/05/2019 - 09h52 - Atualizado 02/05/2019 - 09h52

Por Renato Piovesan

RMC registra sexto caso de feminicídio do ano

iStock/Banco de Imagens

RMC registra sexto caso de feminicídio do ano

Uma mulher de 37 anos foi morta a tiros pelo ex-marido anteontem à noite em Cosmópolis. O caso de feminicídio chocou a pequena cidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC), distante 37 quilômetros de Campinas. Este foi o sexto feminicídio de 2019 registrado na região — houve também três casos em Campinas, um em Sumaré e um em Pedreira.
De acordo com a Polícia Civil, a ajudante Patrícia Gomes da Cruz estava separada havia cerca de um ano e morava com sua mãe e o filho, mas seu antigo companheiro, Vilmar Borges da Silva, de 42 anos, não aceitava o fim do relacionamento.
Na noite do crime, ele foi à casa dela por volta das 20h e a mãe da vítima até chegou a impedí-lo de procurar sua filha, mas ela resolveu sair para conversar com o rapaz. Minutos depois, foram ouvidos os disparos. Patrícia foi morta com três tiros, que atingiram seu rosto, peito e costas. Em seguida, o rapaz se matou com um tiro na própria cabeça. Havia uma medida protetiva contra o autor do assassinato, que não deveria se aproximar da mulher. Os policiais que atenderam a ocorrência apreenderam o revólver usado no crime e o celular do agressor.
Os casos de feminicídio têm se tornado cada vez mais frequentes nos últimos anos. De acordo com levantamento divulgado pelo Estadão Dados, com base em boletins de ocorrência da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a cada 36 horas, ao menos uma mulher é vítima de feminicídio em São Paulo. Em 2018, 148 assassinatos foram registrados já no boletim de ocorrência como derivados de violência doméstica ou por “menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.
O número de mortes é 12,9% maior do que o registrado no ano anterior (131) e mais do que o dobro do que o observado em 2016 (70), embora a quantidade de homicídios dolosos tenha diminuído no Estado. Apesar da alta, especialistas afirmam que o número de casos deve ser maior. Um dos motivos é a tipificação nem sempre ser apontada já no registro do BO.

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Renato Piovesan